sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Filme Documentário e Etnografia Escrita são temáticas do Encontro Nacional de História Oral


Locação do documentário etnográfico "As Escravas da Mãe de Deus"


Entre os dias 10 a 13 de julho de 2012, no Rio de Janeiro, na Universidade Federal [UFRJ], IFCS - IH, ocorrerá o XI Encontro Nacional de História Oral, com a temática "Memória, Democracia e Justiça". 

O grupo de pesquisa "Memória, Ensino e Patrimônio Cultural" teve aprovada a proposta de simpósio temático:

 

Número 013 "História Oral, Filme Documentário e Escrita Etnográfica"  

[o Prazo para inscrição de propostas de comunicação oral nos simpósios é de 19 de dezembro de 2011 a 9 de março de 2012].



Coordenadora: Áurea da Paz Pinheiro [Doutora - Universidade Federal do Piauí, líder do Grupo de Pesquisa CNPq Patrimônio Cultural e Coordenadora do GT Nacional ANPUH Patrimônio Cultural]
 
Resumo: Desde 2007, na condição de pesquisadores do Grupo “Memória, Ensino e Patrimônio Cultural”, realizamos intervenções sociais, investigações, reflexões e discussões no campo da História em uma perspectiva interdisciplinar que envolve a História, a Antropologia, a Etnografia e a História Oral. A intenção deste Simpósio é ampliar as discussões com pesquisadores das ciências históricas e sociais que estudam a produção histórica dos lugares, saberes, fazeres, que indagam como as categorias memória, identidade, cultura, oralidade e patrimônio se relacionam e nos permitem pensar e interpretar depoimentos e testemunhos, verbalizados e resignificados no presente, marcados por vivências e experiências de vida. Ao longo desses anos, elaboramos materiais e metodologias para a pesquisa no campo da cultura imaterial. Produzimos recursos audiovisuais, livros e documentários etnográficos, por considerá-los importantes no trabalho de investigação, produções que respondem aos nossos objetivos de diversificar e divulgar os resultados de nossas investigações através de suportes diversos. Acolheremos, portanto, estudos ligados à diversidade cultural articulados à problemática do patrimônio, dos saberes e fazeres de comunidades tradicionais, trabalhos de pesquisadores que se valem da História Oral, da Etnografia e do Audiovisual como forma de realizar e divulgar suas pesquisas, permitindo que os resultados de nossas investigações cheguem a um público que tem pouco acesso aos trabalhos acadêmicos.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Dona Ribeira, uma das escravas da Māe de Deus


Dona Antônia Ribeira


"Em janeiro [2012] minha avó e foliã mais antiga, conhecida por todos como Antônia Ribeira, partiu nos deixando esse legado cultural e a missão de não deixar 'a peteca cair'". Essas são palavras de Sara, neta de Dona Antônia Ribeira, que nos escreveu e contou sobre a morte da Avó. 

Conhecemos a foliã e devota Dona Ribeira, como também é conhecida, ao longo das gravações do documentário “As Escravas da Mãe de Deus”, que realizamos em Igarapé do Lago, Distrito de Santana, no Amapá. O filme tem como argumento a folia popular em louvor a Nossa Senhora da Piedade, que ocorre naquela comunidade, onde a Avó de Sara morou, onde, hoje, a neta vive com sua a família. 

A celebração ocorre em junho, época em que conhecemos Dona Ribeira [2010]. Louvar Nossa Senhora da Piedade é uma experiência religiosa passada de pais para os filhos. Dona Ribeira herdou a tradição da mãe e do pai, passou para os irmãos, filhos, netos, sobrinhos, para a comunidade.  

Conhecemos Dona Ribeira, no final de uma tarde na casa de um devoto, época em que peregrinávamos com os foliões que realizavam a esmolação. Voltamos a revê-la em uma manhã, por volta das 10h, em sua casa em Igarapé do Lago. Chegamos com os foliões, vinhamos da esmolação, peregrinação com a Santa pelos igarapés em busca de donativos para a Festa. O senhor Antônio Laú e sua mãe Dona Josefa [Dona Zezinha] foram os responsáveis pelas apresentações. 

Dona Ribeira, emocionada, recebia em sua casa para uma mesa de promessa a Santa e os seus escravos, devotos. Com lágrimas nos olhos, nos contava que, no leito de morte, sua mãe havia pedido a ela que não deixasse a tradição chegar ao fim. 

A senhora de seus mais de noventa anos ainda estava lúcida e participava das rezas, ladainhas, batuques. 

Sara e sua família têm agora a responsabilidade, com os outros devotos da comunidade, de manter a tradição, o legado cultural da celebração.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

diários gráficos




Paul Thompson se pergunta: o que é História Oral? Para ele muito mais que um método, disciplina ou tema novo. Na sua opinião "[...] é uma abordagem muito mais ampla: é a interpretação da história, das sociedades e das culturas por meio da escuta e do registro da história de vida das pessoas". 

A história oral nos permite aprender a escutar, ouvir de forma pausada, atenta, paciente as experiências, as histórias de vida das pessoas. Nos permite adrentar suas intimidades. Vidas marcadas de alegres e tristes.

Ao usarmos a História Oral, nos valemos de uma série de suportes de registro, dentre eles os diários gráficos, que são pessoais, subjetivos, interessantes enquanto forma de narrar o cotidiano. Por seu caráter autônomo, nos permitem selecionar aspectos de nossas experiências em espaços de sociabilidade diversos: trabalho, cidade, família, reuniões de amigos, viagens, etc.

Os registros podem ser feitos no espaço virtual, os blogs são exemplos emblemáticos, ou em pequenos cadernos portáteis, fáceis de manusear. Os diários nos permitem o encontro com o lugar, o tempo, a história, a cultura, com o outro. 

Nos cadernos ou blogs registramos nossas impressões de aspectos que consideramos relevantes, registros de expressões por meio da escrita convencional, visual - desenhos ou colagens, habilidades com a escrita, com a narrativa sobre o mundo no qual vivemos.  

Esses caderninhos ou blogs nos permitem experenciar a vida, os cheiros, os sabores; experimentar a paciência, o cuidado de si, do outro, que nos conta sobre a sua vida; um contar que, em algumas situações, não pode ser expresso por palavras, mas em gestos, olhares, sorrisos, lágrimas; os caderninhos nos permitem capturar o que não se consegue dizer por meio das palavras...nos permitem encontrar histórias até mesmo onde os outros não vêem.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Patrimônio Cultural e Experiências Religiosas são temáticas presentes no Encontro da Associação Brasileira de História das Religiões




A submissão de propostas de comunicaçāo oral para os GTs podem ser feitas até o dia 20 de Março de 2012. 

Gostaríamos de divulgar neste espaço a proposta do Grupo de Trabalho GT 14


GT 14 Patrimônio Cultural e Experiências Religiosas 
Coordenadores: 
Profª Drª. Áurea da Paz Pinheiro [UFPI] 
Prof. Dr. Estélio Gomberg (UFBA) 

Resumo: Este GT é uma proposição do Grupo de Pesquisa/CNPq “Memória, Ensino e Patrimônio Cultural”. A intenção é ampliar diálogos com pesquisadores que estudam a produção histórica dos lugares, saberes, fazeres, que indagam como as categorias memória, identidade, cultura, oralidade, religiosidade e patrimônio se relacionam e nos permitem pensar e interpretar, por meio de registros de depoimentos e testemunhos, verbalizados e (res) significados cotidianamente, vivências e experiências religiosas de comunidades tradicionais. Ao longo desses anos, elaboramos materiais e metodologias para a pesquisa no campo da cultura material e imaterial. Produzimos recursos audiovisuais, livros e documentários etnográficos, por considerá-los importantes no trabalho de investigação, produções que respondem aos nossos objetivos de divulgar os resultados de nossas investigações através de suportes diversos. Acolheremos, neste GT, estudos ligados à diversidade cultural articulados à problemática do patrimônio e da experiência religiosa em um contexto que revela uma acentuada valorização das tradições e diversidade cultural anteriormente negligenciadas como elemento de compreensão da dinâmica sociocultural brasileira, trabalhos de pesquisas que elegem a religiosidade e suas manifestações enquanto patrimônio cultural. O objetivo é suscitar questões conceituais, teóricas e metodológicas que norteiam a articulação do estudo das experiências e sentimentos religiosos valorados como patrimônio histórico-cultural, enfatizando as expressões e as crenças por meio de diferentes sentidos e usos. 

Temática Geral do Evento

Religião, carisma e poder: as formas da vida religiosa no Brasil



Local Universidade Federal do Maranhão [UFMA]
Data 29 de maio a 01 de junho de 2012.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

É preciso ler os clássicos

Nos encontros com os membros do grupo de pesquisa e nas aulas de graduação e pós graduação sempre afirmo para os colegas e alunos - precisamos conhecer os clássicos, ler com atençāo analítica. Como concluir um curso de graduação em História sem ter lido Marc Bloch? Conhecer os saberes e fazeres da oficina da história a partir das vivências e experiência desse mestre?

A editora vozes, auxilia nessa empreitada, ao lançar, recentemente, Os Historiadores: clássicos da história volume I, livro organizado por Maurício Parada. Os historiadores é uma coletânea de ensaios, assinados pelos maiores especialistas brasileiros sobre a vida e a obra dos autores clássicos da história.

Confiram

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Museus - Patrimônio de todos

Para os interessados em Patrimônio e Museologia, sugiro a leitura "Museus, patrimônio de todos", uma publicação da FUNDARPE [2010], disponível on line no endereço

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Hoje é dia de folia


Corso, Teresina, 2011, foto de Kátia/Semcom


Crianças, jovens, adultos e gente da boa, da melhor idade se encontram na e para a folia. A cidade de Teresina, que este ano completa 160 anos, recebe em suas ruas carros ornados, onde a criatividade dá o tom e esbanja jocosidade. 

A folia de Momo fala de tempos e de temas diversos. A alegria é a anfitriã, recebe  amigos e parentes, que, juntos, festejam em um mar de confetes, serpentinas e muito entusiasmo a chegada da ireverência. 

Os foliões tomam conta das ruas e avenidas da cidade. Muitos dizem que este ano não vai ser igual àquele que passou...Alguns relembram antigos carnavais, aqueles das marchinhas, dos batuques; lembram histórias guardadas em arquivos pessoais, memórias agora presentificadas, compartilhadas com amigos que trazem, junto com as fantasias, suas memórias, algumas históricas; mas o que importa mesmo é cantar, dançar e confraternizar-se.

O carnaval é uma forma de expressar este momento de ludicidade, de algazarra, de comicidade; é cultural e histórico, portanto, dinâmico, recodificado, significado muitas vezes. 

O corso, que ocorre hoje em Teresina, retrata a originalidade da contemporaneidade, com fragmentos de antigos carnavais da cidade de outros tempos, quando os carnavais de rua eram também momentos de diversão, de utopia, de inversão do real, de um tempo de seriedade, marcado por códigos rígidos de disciplina, de conduta, códigos que são burlados, e, mais uma vez, se vive a magia de bailes, festas e corsos de uma Cidade ainda muito jovem.