terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Caranguejos no litoral...


Manguezais, Delta do Parnaíba. Foto: Cássia Moura

De Dezembro de 2011 a 31 de Maio de 2012 estão proibidas captura, manutenção em cativeiro, transporte, beneficiamento, industrialização e comercialização de fêmeas da espécie ucides cordatus, conhecido por caranguejo-uçá ou simplesmente caranguejo, nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, a determinação está disciplianada pelo art. 1º da Portaria do IBAMA Nº 34/03-N, de 24 de Julho de 2003. Portanto, amigos, vivemos o período de defeso do caranguejo.

O Delta do Parnaíba é uma dessas regiões de produção significativa do caranguejo-uçá. Há um trabalho com os catadores de caranguejos no sentido de sensibilizá-los para a  necessidade do defeso, que garante a harmonia homem/meio, a sustentabilidade. 

O Porto dos Tatus na Ilha Grande de Santa Isabel é o principal entreposto de comercialização do crustáceo no litoral do Estado do Piauí. 

O Ibama é o órgão federal encarregado da fiscalização, aquele que for pego em captura, transporte e comercialização do crustáceo, entre 10 a 15 e 24 a 29 de Janeiro será penalizado. No período do defeso, é permitida somente a venda de caranguejos armazenados por vendedores que solicitaram e tiveram autorização prévia ao Instituto. Após o dia 15 de Janeiro, o caranguejo esteve liberado para comercialização por oito dias. A partir de amanhã, já mês de  Fevereiro, a proibição  se aplica aos dias 8 a 13 e 22 a 27; no mês de Março a proibição será nos dias 9 a 14 e 23 a 28.

O defeso é o período de acasalamento, o que garante a reprodução e comércio sustentável da espécie. Aquele que for flagrado comercializando caranguejos, sem declarar estoque terá o produto apreendido e se houver reincidência estará sujeito às multas que variam de R$ 700 a R$100 mil, R$20 por quilo apreendido e pena de seis meses a um ano de reclusão.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Por entre rio e mar...








Percurso Ilha das Canárias/Porto dos Tatus na Ilha Grande de Santa Isabel



Estamos em expedição de reconhecimento de parte da  Resex, Reserva Extrativista Marinha do Delta do Parnaíba. 

No percurso Ilha das Canárias Porto dos Tatus um diálogo com Mônica, membro da Comunidade. Ao fundo o Senhor Viana. Foto Cássia Moura


A Resex é unidade de conservação do tipo bioma marinho costeiro, com uma área de 27 mil hactares.


Manguezais. Igarapé dos Mosquitos, Barra das Canárias. Foto Cássia Moura

Foi criada pelo decreto presidencial de 16 de novembro de 2000, hoje, portanto, com mais de dez anos. O escritório da Reserva está localizado no Centro da cidade de Parnaíba, localizada no litoral norte do Piauí, nas proximidades do Porto das Barcas, patrimônio cultural, tombado pelo Iphan, às margens do Rio Igaraçu, um dos braços do  Rio Parnaíba.

A Reserva é formada pelas comunidades ou povoados: Canárias, Passarinho, Caiçara, Torto, Morro do Meio. Canárias é a comunidade mais próxima da Ilha Grande de Santa Isabel, do Porto dos Tatus, porta de entrada para o Delta do Parnaíba.

Com base em informações do Instituto Chico Mendes, essas áreas, conhecidas como parques e reservas, totalizam 310 Unidades de Conservação no Brasil e são geridas pelo Instituto. São ricas em biodiversidade e beleza cênica. Foram e outras mais podem vir a ser criadas por Decreto ou Lei. As Reservas atuais estão divididas em dois grandes grupos – o de Proteção Integral e o de Uso Sustentável - sendo ao todo 12 categorias. Para saber mais http://www.icmbio.gov.br/.

No grupo de uso sustentável estão as Áreas de Proteção Ambiental, APAs, “[...] em geral extensas, com certo grau de ocupação humana, com atributos bióticos, abióticos, estéticos ou culturais importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas.“[...] As APAs tem como objetivo proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Cabe ao Instituto Chico Mendes estabelecer as condições para pesquisa e visitação pelo público.” Cf.: http://www.icmbio.gov.br/. 


Pescador. Povoado Canárias. Foto Cássia Moura

Nessa classificação estão as Reservas Extrativistas, a exemplo a Ilha das Canárias, formada pelas cinco comunidades ou povoados, que elencamos acima. As Reservas são áreas utilizadas por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte. Sua criação e manutenção visa proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, assegurando o uso sustentável dos recursos naturais da unidade. As populações que vivem nessas unidades possuem contrato de concessão de direito real de uso, tendo em vista que a área é de domínio público. A visitação pública é permitida, desde que compatível com os interesses locais e com o disposto no plano de manejo da unidade. A pesquisa é permitida e incentivada, desde que haja prévia autorização do Instituto Chico Mendes.” Cf.: http://www.icmbio.gov.br/.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Do caos à lama, que faz a alma viver

Vista Panorâmica da Casa de Caboclo, Ilha das Canárias. Foto Cássia Moura


A canção, a música que nos acorda e nos embala é uma melodia frenética do vento dos coqueirais que circundam a nossa cabana, de onde podemos ver o Rio Parnaíba, suas águas ora mansas, ora uma dança em um ritmo voraz. Pouco mais de oito horas da manhã, terminamos a primeira refeição: melancia, laranja, suco de acerola, beiju ou tapioca, cuscuz com leite de coco natural, bolo de milho, café com leite, omelete...não podemos esquecer do mel de caju. Depois das nove horas, seguimos para o Igarapé do Mosquito, um entrelaçado exuberante de raízes de mangue vermelho, com suas raízes aéreas, sombras, caminho líquido estreito, o único som é do vento, das águas mansas, do pássaro maçarico, do macaco prego, das folhas e raízes de mangues que tocam sensualmente as águas do Parnaíba. O transporte uma canoa remada por um carioca, que veio para a Ilha das Canárias e nunca mais voltou, casou, constituiu família. É pai do pequeno Miguel, que brinca com os remos, toca seus minúsculos pés na areia macia do Rio, logo ali bem em frente de sua casa. Hoje, quem sabe teremos caranguejo, depende do senhor conhecido como Peba, catador de caranguejo. Lina, uma mineira, veio para cá há mais de dez anos, trabalhou como enfermeira na Ilha, nunca mais voltou. Ela, o filho Daniel, a nora Angela, filha de uma família de pescadores do lugar, e o pequeno Miguel formam a família da pousada Casa de Caboclo. Eles nos acolhem com muito carinho, nos sentimos em casa. O Rio Parnaíba, seu Delta, bocas, igarapés e mangues também nos acolhem há muitos anos, fazemos parte desse universo verde, penso que também nunca mais deixaremos este lugar, bebemos a água do Parnaíba, atolamos nossos pés na lama do mangue, não sairemos da lama para voltar ao caos, não temos ninguém a nos espreitar, nossas almas se acalmam...

sábado, 28 de janeiro de 2012

A vida precisa de paciência

A barra das canárias tem sua riqueza na biodiversidade e no patrimonio cultural das comunidades que aqui vivem. Beleza aliada à tranqüilidade, bem-estar. A barra é um ponto estratégico para o Oceano Atlântico, região que ontem e hoje serviu e serve de atrativo para exploradores, investigadores, um lugar que conserva elementos culturais da ancestralidade indígena e portuguesa. Deste guardam o modo de armar a vela do barco de pesca em alto mar, dos índios, o modo de construção da canoa de pescar, de ascender o fogo com o atrito das mãos, fogo que serve para assar o peixe, pescado no Parnaíba, secado ao sol no teto das casas, muitas ainda feitas de pau a pique, com madeira de carnaúba e do mangue.


Cássia Moura e Luzia, a Lu. Ilha das Canárias. Foto Áurea Pinheiro.


Conhecemos, há dois anos atrás, quando começamos a percorrer estas plagas, uma mulher singular - Luzia, a Lu, 20 anos, única de uma família de 8 homens, todos pescadores, como o pai. Hoje, nos reencontramos, quase íamos com ela e os irmãos em um barco motor da família para alto mar, despencar, ou seja, retirar as redes colocadas na ponta da barra há aproximadamente 7 dias. A partida foi às 12h, o retorno às 15h30m, o resultado para a rede de Luzia - 2 camurins de 3 quilos, 01 pema de 4 quilos, 01 pescada de 5 quilos, 01 bagre de 3 quilos.


Por Áurea Pinheiro e Cássia Moura, Ilha das Canárias, pôr do sol, aproximadamente 18h

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Delta do Parnaíba, Piauí, Brasil







A belíssima Ilha das Canárias é uma das mais de oitenta ilhas situadas no Delta do Rio Parnaíba, o único em mar aberto das Américas. A natureza é exuberante, com uma rica flora, coqueiros e carnaúbas, e fauna, peixes e crustáceos, dentre caranguejos e siris. O sol se põe lentamente, o pescador volta para casa antes da maré encher, o cabloco toca o gado antes que fique noite escura.

O Delta é um importante território da Costa Nordeste do Brasil, formado por cinco barras: Igaraçu, Canárias, Caju, Carrapato ou Melancieira e Tutóia. O Rio Parnaíba é o divisor natural entre os estados do Piauí e do Maranhão, região Meio Norte do Brasil. É formado por mais de oitenta ilhas, situadas em águas calmas e com uma rica e complexa biodiversividade.

A região foi ocupada originalmente por populações indígenas e em meados do século XVIII teve a sua existência marcada pelo ciclo da criação de gado, do charque e do agroextrativismo da carnaúba. A partir dos anos oitenta do século XX, se intensificaram os problemas sócio-ambientais na região, causados, sobretudo, pelo turismo e por formas de extrativismo não planejadas, o que tem provocado desequilíbrios ambientais e sócio-culturais.

Em 2000, foi criada a RESEX, Reserva Extrativista Marinha do Delta do Parnaíba, formada por algumas ilhas do Delta e alguns municípios: Ilha Grande de Santa Isabel, Piauí, Araioses e Água Doce, Maranhão, que abrangem uma área de aproximadamente 275,6 quilômetros quadrados. 

A Ilha das Canárias é a segunda maior do Delta, com cinco povoados: Canárias, Passarinho, Caiçara, Torto e Morro do Meio. Aproximadamente 500 famílias e 2.500 pessoas integram a unidade de conservação, habitantes que vivem da pesca, da cata de caranguejo e da agricultura familiar.  Além da Resex há a Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, que abrange os Estado do Piauí, Maranhão e Ceará. 

Ilha das Canárias, noite chegando, às 18h15m, por Áurea Pinheiro e Cássia Moura

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

história dos índios do Piauí

O livro "História dos Índios do Piauí", organizado pelas historiadoras Claudete Dias e Patrícia Santos está estruturado em três partes ou livros:

O livro I, Narrativas Precursoras, é uma homenagem aos primeiros escritores, estudiosos e pesquisadores sobre a história dos índios do Piauí, como Odilon Nunes, Pe. Joaquim Chaves, Moysés Castelo Branco, João Gabriel Baptista e Luiz Mott. Cada um desses estudiosos aborda questões relativas à formação da sociedade, aos nativos, relatam as primeiras incursões do branco colonizador.

O Livro II, Memória escondida: estudos e fontes, retira dos escombros uma documentação pouco conhecida até mesmo por historiadores piauienses, como as pesquisas do advogado Reginaldo Miranda, que pesquisa em arquivos fontes como devassas que mostram a crueza da colonização; ou da historiadora Ana Stela Oliveira, que defendeu tese de doutorado na qual estuda os conflitos entre colonizadores, religiosos e nativos no sudeste do Piauí e que apresenta um raro documento como o Diário de um dos maiores predadores de índios do Piauí.

O Livro III, A guerra da colonização e os vestígios que ainda resistem, enfoca sob vários pontos de vista, como teria ocorrido a guerra, conhecida pela historiografia como guerra de extermínio e que foi denominada de guerra da colonização porque traduz o que teria acontecido na época da colonização das terras onde é hoje o Piauí: uma guerra de extermínio durante a colonização.

Nas três parte do livro encontram-se artigos do antropólogo Luis Mott, que em suas pesquisas em acervos Portugueses encontrou fontes até então inéditas sobre o Piauí, levando-o a publicar vários artigos em revistas especializadas e um livro sobre o Piauí colonial, considerado um clássico da historiografia local. Nestes três artigos, Mott nos presenteia com abordagens sobre a vida nas fazendas de gado, a resistência e morte de tribos, além de dados demográficos esclarecedores.

Para maiores informações Claudete Dias

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O grupo patrimônio cultural estará presente no XV CISO

Há mais de 20 anos, pesquisadores [as] vinculados [as] aos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e centros de pesquisa das Regiões Norte e Nordeste do Brasil promovem encontros sistemáticos com o objetivo de reunir cientistas sociais e de áreas afins em torno de suas Linhas de Pesquisa, dando visibilidade à produção científica e aos resultados de suas pesquisas através do Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste [CISO]. [...] Esta XV edição do encontro tem chancela da Associação Latina Americana de Sociologia [ALAS], e incorpora o Encontro Nacional da Associação, chamado de PRÉ-ALAS Brasil, prévia ao XXIX Congresso Internacional da ALAS que se realizará em 2013, no Chile. Para saber mais...

O Comitê Científico do Evento aprovou o Grupo de Trabalho 

GT 8: Patrimônio cultural, comunidades tradicionais e sustentabilidade

Coordenadores:

Profª. Drª. Áurea da Paz Pinheiro - UFPI
Profª. Drª. Carla Patrícia de Abreu Bruno [Universidade de Lisboa]
Profº. Dr. Luís Jorge Gonçalves [Universidade de Lisboa]

Ementa: Este GT é uma proposição do Grupo de Pesquisa/CNPq “Memória, Ensino e Patrimônio Cultural”, que realiza desde 2007 intervenções sociais, investigações, reflexões e discussões no campo da História em uma perspectiva interdisciplinar que envolve a História, a Antropologia, a Etnografia. A intenção deste GT é ampliar as discussões com pesquisadores que estudam a produção histórica dos lugares, saberes, fazeres, que indagam como as categorias memória, identidade, cultura, oralidade, sustentabilidade e patrimônio se relacionam e nos permitem pensar e interpretar, por meio de registros de depoimentos e testemunhos, verbalizados e (res) significados cotidianamente, vivências e experiências de comunidades tradicionais do Norte e Nordeste brasileiro. Ao longo desses anos, elaboramos materiais e metodologias para a pesquisa no campo da cultura material e imaterial. Produzimos recursos audiovisuais, livros e documentários etnográficos, por considerá-los importantes no trabalho de investigação, produções que respondem aos nossos objetivos de divulgar os resultados de nossas investigações através de suportes diversos. Acolheremos, neste GT, estudos ligados à diversidade cultural articulados à problemática do patrimônio, da sustentabilidade, dos saberes e fazeres de comunidades tradicionais, trabalhos de pesquisadores que se valem da História Oral, da Etnografia e do Audiovisual como forma de divulgar suas pesquisas entre os sujeitos e comunidades com os quais estabelecem diálogos e interlocuções.
Confiram outros GTs

Inscrevam-se...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A cultura popular e os estudos de Noé Mendes

Noé Mendes, em muitas de suas jornadas pelos sertões do Piauí




Membro do Grupo de Pesquisa

Neste estudo, em fase preliminar, pretendo escrever a biografia histórica de Noé Mendes. Entendo a biografia como um dos instrumentos da pesquisa histórica, capaz de responder questões sobre os indivíduos e sua inserção nos espaços de sociabilidade de seu tempo e condição social, cultural e política.
 
Noé Mendes, como é lembrado e homenagiado em diversos espaços públicos, nasceu no dia 17 de janeiro de 1940, em Simplício Mendes, Piauí. Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais, em Filosofia e Teologia. Cursou Teologia na Universidade Gregoriana de Roma, ao voltar ao Brasil, trabalhou com Dom Avelar Brandão Vilela, ingressando em seguida na Universidade Federal do Piauí.

Como pesquisador e professor da Universidade Federal do Piauí, identificou, tomou notas, registrou e incentivou a cultura popular. O seu interesse era pelo estudo, inventário/registro, promoção e divulgação de saberes e de fazes da cultura popular. Seus escritos relevam um sujeito atento e interessado pela cultura material de imaterial do Piauí.

domingo, 15 de janeiro de 2012

XIII Simpósio Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Religião

A temática norteadora do Simpósio deste ano é "Religião, carisma e poder: As formas da vida religiosa no Brasil". 

O Evento será em São Luis, MA, de 29 de maio a 01 de junho de 2012, na Universidade Federal do Maranhão, UFMA.

A Comissão Científica do XIII Simpósio Nacional aprovou o Grupo de Trabalho Patrimônio Cultural e Experiências Religiosas, proposto por Áurea da Paz Pinheiro e Estélio Gomberg.

O GT é uma proposição do Grupo de Pesquisa/CNPq “Memória, Ensino e Patrimônio Cultural”. A intenção é ampliar diálogos com pesquisadores que estudam a produção histórica dos lugares, saberes, fazeres, que indagam como as categorias memória, identidade, cultura, oralidade, religiosidade e patrimônio se relacionam e nos permitem pensar e interpretar, por meio de registros de depoimentos e testemunhos, verbalizados e (res) significados cotidianamente, vivências e experiências religiosas de comunidades tradicionais. Ao longo desses anos, elaboramos materiais e metodologias para a pesquisa no campo da cultura material e imaterial. Produzimos recursos audiovisuais, livros e documentários etnográficos, por considerá-los importantes no trabalho de investigação, produções que respondem aos nossos objetivos de divulgar os resultados de nossas investigações através de suportes diversos. Acolheremos, neste GT, estudos ligados à diversidade cultural articulados à problemática do patrimônio e da experiência religiosa em um contexto que revela uma acentuada valorização das tradições e diversidade cultural anteriormente negligenciadas como elemento de compreensão da dinâmica sociocultural brasileira, trabalhos de pesquisas que elegem a religiosidade e suas manifestações enquanto patrimônio cultural. O objetivo é suscitar questões conceituais, teóricas e metodológicas que norteiam a articulação do estudo das experiências e sentimentos religiosos valorados como patrimônio histórico-cultural, enfatizando as expressões e as crenças por meio de diferentes sentidos e usos.

Teresina 160 Anos

Este ano, 2012, Teresina, capital do Piauí, completa 160 anos. O Encontro Estadual da ANPUH, Seção Piauí, no mês de maio, promoverá uma mesa temática para discutir a cidade: história e memória. Dentre os nossos convidados está a doutora Gercinair Silvério Gandara, membro deste Grupo de Pesquisa. 

Recentemente a Revista História, São Paulo, lançou texto de sua autoria Teresina: a Capital sonhada do Brasil Oitocentista, que trata do "[...] surgimento da cidade Teresina [...] fruto de interesses políticos e econômicos ao reivindicarem a modernidade e o desenvolvimento para o Estado do Piauí. A [...] cidade nos fornece traços de um projeto moderno em sua morfologia, capazes de expressarem os anseios explicitados nos discursos do 'progresso'. O transporte é um dos pilares do seu nascedouro e contribui para a formação do padrão específico da vida citadina. Essa tendência fez sua inscrição no processo de 'expansão', de 'modernização', de 'modernidade', de 'progresso', enfim em sua dimensão histórica." Confiram o texto na íntegra

sábado, 14 de janeiro de 2012

Programa de Rádio Encontros com o Património

A Rádio TSF Notícias exibe a 5ª Série do Programa “As farmácias e o património”, hoje, dia 14 de janeiro de 2012, entre às 12h00 e às 13h00, com reemissão entre a 1h00 e as 2h00. [horário de Portugal]

O Programa Encontros com o Património, uma colaboração IGESPAR/TSF, é emitido sempre nos horários indicados acima.

"O IGESPAR, em parceria com a TSF, emite a quinta série de programas dedicados a vários temas do património, onde se fala de sítios com história, de paisagens e pessoas, o passado e o presente, sensibilizando, em simultâneo, o público para a diversidade do património e para a importância da sua salvaguarda.


Encontros com o Património ganhou em 2010 o prémio Autores (SPA) para o Melhor Programa de Rádio e duas Menções Honrosas, uma atribuída no âmbito do Prémio Nacional de Ambiente Fernando Pereira 2009/2010 e outra pela APOM, na categoria de melhor trabalho jornalístico."


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Folia de Santos Reis


Pesquisa de Campo, Alto Longá, Piauí, 05 e 06 de janeiro de 2012

Por Áurea Pinheiro, Amparo Moura, Ariane Lima, Cássia Moura e Marluce Morais


Senhor Antônio Pequeno, promesseiro de Santos Reis. Foto Áurea Pinheiro, 6 de jan. 2012


Dentre os personagens bíblicos acolhidos pela tradição religiosa popular na localidade Estrela, Alto Longá, um dos municípios do Norte do Piauí, estão os Reis Magos, celebrados como Santos Reis ou simplesmente Santo Reis, considerados milagrosos.


O imaginário popular em todo dos Reis Magos se revela em rituais complexos, permeados de interpretações. Símbolos, sentidos e significados, cultural e historicamente elaborados, são traduzidos e metamorfoseados pelas comunidades devotas, são apresentados em manifestações diversas, de caráter sagrado e profano.


As comunidades que celebram o dia de Santos Reis estão dispersas em países de tradição cristã, imprimem na oralidade diversas narrativas, contadas de geração em geração. A celebração em louvor aos Santos está ligada intimamente às festas de Natal e aos cultos pagãos de fertilidade, de abundância alimentar.


Em Alto Longá, nos versos improvisados pelos caretas, personagens da Festa ou Folia de Reis, existem referências aos magos do Oriente, que depois de cumprida a rota que lhes indicava a estrela de Belém, prestaram a Jesus, na gruta onde ele nascera, homenagens com a entrega de presentes.


Não é possível saber quando teve início a Folia ou Festa de Reis em Alto Longá, mas é plausível afirmar o caráter secular da tradição, transmitida de pais aos filhos, que ao longo do tempo assumem a devoção e em alguns casos a promessa feita, mas não cumprida por um ente querido a Santo Reis.


Cada ano, uma promessa é cumprida. Na casa do promesseiro há um altar ornado, singelo em honra a Santo Reis. Arranjado em uma caixinha de papelão de aproximadamente trinta por trinta centímetros cuidadosamente está colocada a imagem dos Reis Magos na gruta onde prestaram homenagem ao menino Jesus, referência ao primeiro culto de devoção ao menino Deus. Os magos, guiados por uma estrela, teriam levado ao recém nascido ouro, incenso e mirra, que representam as três dimensões de Cristo: a realeza, a divindade e a humanidade. 

o altar, o devoto, santos reis. Foto Áurea Pinheiro, 6 de jan. 2012



A Folia de Reis é realizada em países como Portugal, Espanha, França, Bélgica e Itália. Podemos afirmar que foi trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses que mantiveram a tradição europeia com elementos pagãos: doações e trocas de presentes, geralmente oito dias que antecedem o dia seis de janeiro, Dia de Santos Reis.


No Brasil, além de muitos estados do Nordeste, dentre eles o Piauí, a tradição sobrevive em Minas Gerais e São Paulo, guardando algumas de suas características originais. Em Alto Longá, a celebração  é conhecida como Folia de Reis, Dia de Reis ou Reisado, há a presença de grupos de foliões, que após o Natal até a véspera de Reis, visitam os amigos ou conhecidos, cantando modinhas e versos alusivos à data. Dançam, cantam e rezam ao som da sanfona. 

Em outros estados brasileiros estão presentes outros instrumentos como tambores, violões, cavaquinhos e pandeiros. O Caretas percorrem as casas do bairro e pedem dinheiro ou alimentos aos donos da casa para a partilha, em forma de almoço e jantar aos convivas no Dia de Reis.


O que observamos são permanências medievais da teatralização da fé. Os adereços do altar, dos caretas, da bandeira e do boi são coloridos e cuidadosamente preparados. O  boi é ornado com chita, fitas coloridas e espelhos; os caretas, figuras mascaradas, fazem palhaçadas, elaboram momentos cômicos; com suas máscaras de couro ou ornadas com papeis coloridos, representam os soldados de Herodes, governador romano que queria matar Cristo, motivando a fuga da sagrada família para o Egito.


Vivenciamos em Alto Longá uma celebração com elementos pagãos e cristãos, com dimensões sagradas, crenças antigas, ancestrais, seculares, com origens míticas, enraizadas em um lugar árduo, que deseja magia, ludicidade, energia, alegria; deseja o encontro com a fortuna, com a utopia, com a desconstrução do real.


A estética, a sonoridade, a devoção representam momentos de deleite, alegria, fé; trocas simbólicas entre devoto e santos, o cumprimento de promessa por um pedido difícil, um milagre, fruto da intervenção sobrenatural.


A Folia tem a marca de uma naturalidade coletiva, é cíclica, móvel, os devotos transportam a imagem de Santos Reis que veneram, com sua bandeira, cânticos; há festins alimentares com produtos da localidade, são servidos pratos típicos do lugar, dentre eles o sarapatel, a buchada, a calinha ao molho pardo, o porco assado, o carneiro ao molho, etc.


A Folia é a materialização da religiosidade, da espiritualidade, é o desejo de fiéis que dão continuidade às homenagens aos Reis, Santos, que circulam pelas casas, visitam as famílias criadoras da comunidade, famílias que vivem entre o mundo urbano e rural, entre o natural e o sobrenatural.


sábado, 7 de janeiro de 2012

4ª edição do encontro estadual de história Anpuh Piauí


Adriano. Oficina Memorial Mestre Dezinho, Teresina, Piauí. Foto Cássia Moura, 2008



Entre os dias 02 a 04 de maio de 2012, na Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portela, cidade de Teresina, a Associação Nacional de História, Seção Piauí, realizará a 4ª Edição de seu Encontro Estadual. 
Nesta edição, o tema proposto são as interfaces entre "Educação e Patrimônio Cultural", a partir de uma perspectiva interdiciplinar, com diálogos entre áreas do conhecimento como: arquitetura, antropologia, arqueologia, educação, geografia, história, meio ambiente e história. 

Nos diálogos com pesquisadores e professores que atuam na educação básica e ensino superior, serão abordadas questões-problemas nem sempre tomadas como objeto central nos eventos, que na maioria das vezes, não conseguem atingir o professor da escola básica, vez que são encontros eminentemente acadêmicos. A proposta, então, é permitir uma autoreflexão do professor em diversos níveis de ensino e pesquisador da academia e outras instituições de pesquisa em relação à sua prática cotidiana de gestão e proposição de políitcas, conteúdos, metodologias, recursos didáticos, avaliações.

Estarão presentes nos debates críticas, sugestões, revisões curriculares, trocas de experiências entre  Universidade e Escola Básica, diálogos urgentes, em uma conjuntura em que são  implementadas políticas públicas de formação continuada de professores.
 
Saberes, experiências e práticas no campo das ciências históricas e sociais serão consideradas nas discussões, com o objetivo de ampliar os canais de interação entre os diferentes segmentos da comunidade educacional, cursos de Graduação e Programas de Pós-Graduação, entre a Universidade e a Escola Básica.

O evento é aberto à participação de professores e gestores de todos os níveis de ensino, alunos de graduação e pós-graduação, profissionais das áreas de Arquitetura, História, Educação, Geografia, Arqueologia, Antropologia, Sociologia e demais interessados na temática do evento.

O site do Encontro, com a programação e ferramentas para inscrições, encontra-se em construção. Para uma primeira visualização consultem o site da Anpuh Piauí, para maiores informações contato via e-mail anpuhpi@gmail.com

Por Áurea Pinheiro
Presidente da Anpuh Piauí
Coordenadora Geral do Evento

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

cinema e folclore



O Programa Revista do Cinema Brasileiro, Canal Brasil e TV Cultura dos Estados, episódio de sábado, dia 14/01/2012, às 20h30m, apresenta como tema "Cinema e Folclore"

Como centro dos diálogos com os cineastas convidados as "Tradições que expressam a identidade cultural [...] a cultura brasileira e suas festas populares. Mitos, lendas, provérbios, crendices, festas, músicas, danças, comidas, literatura [...] maneiras de expressar o folclore de uma região". 

A proposta do Programa é mostrar por meio do cinema as facetas da cultura popular brasileira

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Trabalho e ferrovia: cotidiano do trabalho dos ferroviários na cidade de Parnaíba-PI, 1950-1990.

Galpões, antigos armazéns de importação e exportação. Porto das Barcas, Parnaíba


Trata-se de artigo de autoria de Lêda Rodrigues Vieira, mestre em História pela UFPI, publicado na Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, Vol. 3 No 5, Julho de 2011.

O objetivo do "[...] artigo é mostrar a trajetória profissional de ferroviários que trabalharam na Estrada de Ferro Central do Piauí, ferrovia que teve seu primeiro trecho de 24 km inaugurada em 1916, atendendo a população da região norte do Estado até os anos 1980. Nesse sentido, tomaram-se como principais fontes as entrevistas realizadas com cinco ferroviários aposentados e um locatário do restaurante do trem, além de documentação referente à vida profissional desses e de outros trabalhadores, pesquisados e digitalizados no acervo do Arquivo do Patrimônio da Extinta Rede Ferroviária Federal S.A, em São Luís (MA). A perspectiva deste estudo foi mostrar como esses trabalhadores significavam o mundo do trabalho na ferrovia e quais as relações existentes entre a empresa e os ferroviários".



Rede do patrimônio cultural no Piauí




Um dos textos emblemáticos do livro "Tempo, Memória e Patrimônio Cultural, organizado por Áurea Pinheiro e Sandra Pelegrini, é de autoria de Diva Maria Freire Figueiredo, arquiteta e superintendente, na época de produção do texto, do Iphan Piauí [atualmente Diva é superintendente do Iphan ES], e Dalmo Vieira Filho, também arquiteto, Iphan.


porto das barcas, Parnaíba

O artigo [...] apresenta a experiência iniciada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN no Piauí, de colocar em funcionamento uma rede de patrimônio cultural no estado, formada por núcleos históricos de seu território, articulados entre si e aos demais integrantes de uma rede maior do patrimônio cultural brasileiro.

A seleção dos núcleos urbanos para tombamento é aquela que, segundo Santana (2000), considera o valor documental dos testemunhos dos processos sociais e econômicos do espaço construído, por meio da leitura de uma identidade urbana historicamente construída tanto pelos traços físico-arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos - quanto pelas formas de uso e ocupação do espaço, pelas práticas sociais e cultura local, que estabelecem vínculos afetivos e simbólicos com o sítio.

Embora o conceito de rede prescinda de integração e complementaridade entre as formas de proteção e as ações de preservação do patrimônio cultural de natureza material e imaterial destes núcleos, privilegia-se a discussão da prática de proteção tradicional iniciada pelo IPHAN em 37, ou seja, a constituição da rede do patrimônio cultural brasileiro no Piauí por meio do instituto do tombamento."

Interessante destacar nesse processo a assessoria histórica que o grupo de pesquisa realizou junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, para sistematização do Dossiê, aprovado pelo Conselho Consultivo do IPHAN do tombamento federal do Centro Histórico de Parnaíba. Trata-se de estudos e área tombada na cidade de Parnaíba, Norte do Piauí: a região do Porto das Barcas e seu entorno. 

A decisão do Conselho Consultivo foi tomada tendo como referência o Dossiê e o documentário institucional "Piauí: história, memória e patrimônio cultural". 



Dossiê e Documentário orientaram a decisão e permitiram que Parnaíba fosse incluída nos Livros do Tombo Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. 

Destaca-se, ainda, elaborada com base no Dossiê, a obra "Cadernos de Patrimônio Cultural – O conjunto Histórico e Paisagístico de Parnaíba".


Referência

SANT’ANNA, Márcia. Algumas notas e considerações sobre a restauração de sítios Históricos Urbanos in Cadernos Técnicos N 1. Brasília: Grupo Tarefa / Programa MONUMENTA – BID. 2000.



domingo, 1 de janeiro de 2012

Japoneses no Piauí

por Anderson Miura [membro do grupo de pesquisa] 

Família Miura. Acervo particular.

Investigação em estágio preliminarr. Consiste em estudo da cultura japonesa no Piauí a partir dos anos 1950, quando ocorreram as primeiras imigranções.
Algumas questões norteiam a pesquida: quais as motivações da imigração de japoneses para o Brasil e para o Piauí em particular? quem eram esses japoneses? em que condições vieram? quais os hábitos, costumes, vivências e experiências desses Nikkeis [vestuário, língua, alimentação]?, quais os aspectos de suas crenças e celebrações? quais as sobrevivências na contemporaneidade de elementos de sua cultura? 
Esta investigação é a primeira na historiografia piauiense. Embora não haja estudos acadêmicos sobre o tema, há uma rica e complexa documentação impressa em cartas, fotografias, fontes oficiais, como: passaportes, registros de nascimento e de óbito, documentos das embaixadas brasileiras e japonesas; além de duas gerações das famílias: Miura e Takeshita. 
A história oral, o filme e a fotografia codumentais serão valorizados como instrumentos de pesquisa.