domingo, 4 de março de 2012

Encontros com o tempo


Rodrigo Sampaio e Tia Alba. Sarau na Casa de Tia Adelaide

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
(Maria Gadú)

Desde o mês de Fevereiro, 2012, realizamos pesquisas preliminares sobre a matriarca da Família Moura, Dona Mary. Os encontros com os membros da Famía tem nos revelado que o trabalho com a etnografia e com a história oral deve ser marcado por um tempo longo de convívio e confiança entre pesquisador e informantes. É preciso ter paciência, sensibilidade, saber ouvir, esperar pelo tempo de cada um dos entrevistados, ou mesmo daqueles que só observamos. Adentrar o espaço íntimo de uma casa, de um lar, de uma família é delicado, requer do investigador uma observação atenta, sensível e ética. 


Da direita para esquerda: Cássia, Tânya, Tia Alba, Rosa Claudia e Zaíra


O que tem nos impressionado é o fato dessa família como muitas outras conservarem documentos diversos que nos informam sobre suas histórias. Esse acervo documental está expresso em carteiras profissionais e de clubes recreativos, cancioneiros,  fotografias, objetos como caixa de música, porta retratos, álbuns, etc.

O tempo do convívio deve ser marcado pela espera, que só um contato íntimo nos permite; por outro lado temos que manter uma certa distância que nos separa de nosso objeto de estudo. É preciso que se crie estratégias de aproximação e distanciamento. O ambiente gradativamente vai sendo construído, somos vagarosamente acolhidos, as lembranças afloram; aquela velha foto que parece ter servido apenas para congelar um acontecimento, torna-se significativa. 

Tias Elísia e Adelaide


A solidão torna-se um encontro com a vida, com o tempo...

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