sábado, 11 de fevereiro de 2012

Pescadores e Artesãos

Os Franciscos, pescadores, Pedra do Sal, Ilha Grande de Santa Isabel, litoral Norte do Piauí

Texto Áurea Pinheiro
Fotos Cássia Moura


Era uma quarta-feira, do mês de fevereiro, do ano 2012. Lua cheia, o dia esteve marcado pela presença do sol, forte, imponente, exuberante, senhor da terra, do rio, do mar. As chuvas tāo esperadas por todos nós ainda nāo chegaram aqui no litoral, o homem do campo, do mar e do rio sofrem com os caprichos da natureza, que também sofre com a insanidade do bicho homem.


Dia dois de fevereiro, final de tarde; encontramos dois Franciscos, primos, pescadores. Homens simples, de belos corpos tralhados pela labuta diária exigida pelo dever do ofício. Um deles estranhamente parecia saber e conformava-se com o resultado da empreitada do dia: uma rede destruída e nenhum peixe, o outro Francisco nāo conseguia esconder a sua tristeza, angustia e decepçāo. A rede de pesca nāo serviria para outra viagem ao mar, o primo tentava acalmá-lo, buscava uma saída, parece que nāo havia, tinham mesmo que recorrer ao santo protetor, também um Francisco, e fabricar com mãos firmes e calejadas uma nova rede e mais uma vez aventurar-se naquelas águas.


O lugar do qual falamos é a Pedra do Sal, praia próxima à cidade de Parnaíba, aproximadamente 15 km do centro da urbe. A Praia situa-se na Ilha Grande de Santa Isabel, ilha fluvial do Delta do Parnaíba, habitada por pescadores. O lugar é de uma beleza que só o olhar sensível da fotógrafa é capaz de capturar; homem, meio, investigadoras parecem se confundir nessas plagas paradizíacas.




Há dois lados ou entornos de praia, um desses lados, onde ficamos a observar e conversar com os dois pescadores, é de águas mansas, calmas, com boas condições para a pesca, no outro lado observamos águas agitadas, favorecendo os esportes radicais, a exemplo o surf; na Praia há um Farol, uma usina eólica; no entanto o lugar é carente de serviços públicos essenciais, a exemplo a coleta de lixo.



No caminho da cidade de Parnaíba para a Pedra do Sal, nos deliciamos com uma paisagem verde, bucólica de imensos carnaubais. Visitamos a Associaçāo de Trançados da Ilha, formada por mulheres que usam a fibra da carnaúba para fabricar peças úteis no cotidiano de nossas casas e ainda marcadas pela beleza e delicadeza de mãos que enfrentam a labuta diária da sobrevivência. Fomos recebidas por uma senhora que expressava um misto de surpresa e felicidade com nossa presença, desejava mostrar o seu ofício e de suas companheiras, mulheres artesās. A senhora dona Serrate se orgulha ao falar do prêmio que as mulheres da Associaçāo receberam - Casa Piauí Design 2012, na categoria cestaria, concurso promovido pelo SEBRAE.








Contato com a Associação de Artesãos Trançados da Ilha Grande de Santa Isabel
rua Evabgekuba Rosa, 548
Ilha Grande de Santa Isabel
Parnaíba 
Tel.: (86) 9402-4300

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Exposiçāo Virtual Ferrovias Paulistas

O Arquivo do Estado de Sāo Paulo lança exposição virtual "Ferrovias Paulistas". A Exposição conta parte da história das Ferrovias no Estado, conhecido como a "Locomotiva do Brasil"

O lançamento ocorreu terça-feira (07/02). A exposição virtual "Ferrovias Paulistas", mostra a trajetória do sistema ferroviário em território paulista desde meados do século XIX aos dias atuais. Traz documentos de época e, para os professores e estudantes, propostas de atividades pedagógicas que podem ser utilizadas em sala de aula ou como material de estudo individual.

A exposição ficará disponível permanentemente no endereço, confira

Dividida em seis ambientes, trata do surgimento das ferrovias paulistas, em 1867, a partir de investimentos públicos e de recursos do café, passando pelas "greves ferroviárias" da primeira metade do século XX, e pela formação da FEPASA (Ferrovias Paulistas S.A), na década de 1970, entre outros
          
O Arquivo é um dos maiores arquivos públicos brasileiros. Vinculado à Casa Civil, sua função é formular uma política estadual de arquivos e recolher, tratar e disponibilizar ao público toda documentação de caráter histórico produzido pelo Poder Executivo Paulista.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A etnografia que praticamos


Cássia e Francisco, Pedra do Sal, Ilha Grande de Santa Isabel, Piauí

A propósito do método etnográfico, a pesquisadora Marluce Morais, membro de nosso grupo, nos enviou a seguinte mensagem: 

Áurea e Francisco, Pedra do Sal, Ilha Grande de Santa Isabel, Piauí


"Áurea, estou lendo Memória de Velhos, de Ecleia Bossi, e uma passagem me lembrou vocês. A autora nos fala sobre o ato e função da narrativa à luz de W. Benjamin: 'sempre houve dois tipos de narrador: o que vem de fora e narra suas viagens, e o que ficou e conhece sua terra, seus conterrâneos, cujo passado o habita. O narrador vence distâncias no espaço e volta para contar suas aventuas num cantinho do mundo'. Lembrei de suas viagens e como aguardo ansiosamente pelas histórias que têm para nos contar, histórias de vivências cotidianas..."





Marluce, querida, esses são pequenos fragmentos de histórias que estamos tecendo sobre e com os pescadores do litoral do Piauí...sem palavras!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Consciência Histórica e Patrimônio Cultural são temas da 4ª edição do encontro estadual de história Anpuh Piauí



 Por Associação Nacional de História - Seção Piauí

O Evento ocorrerá de 02 a 04 de Maio de 2012, no Centro de Ciências Humanas e Letras, da Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portella Nunes, na cidade de Teresina, capital do Piauí. A cidade completa 160 anos.

Nesta edição, o tema de nossas reflexões e discussões estarão voltadas para as interfaces entre consciência histórica e patrimônio cultural, para as conexões entre  história e vida cotidiana. A pergunta que nos motiva: para que serve a história? para a vida.

Realizaremos diálogos que contemplem pesquisadores e professores que atuam na educação básica e ensino superior. Abordaremos questões que são problemáticas, mas nem sempre tomadas como objeto de discussões nos eventos, que na maioria das vezes, não conseguem atingir o professor da escola básica, vez que são eminentemente acadêmicos. Nessa linha de pensamento, queremos refletir sobre as vivências cotidianas do professor: saberes, expreiências e práticas.
  
Privilegiaremos o diálgo com as ciências históricas e sociais, com o objetivo de ampliar os canais de interlocução com os diferentes segmentos da comunidade educacional, com os cursos de Graduação e Programas de Pós-Graduação.

O Evento é aberto à participação de professores de todos os níveis de ensino, a pesquisadores de todas as instituições e à comunidade em gereal.

Estarão presentes debates, críticas, revisões curriculares, trocas de experiências entre  Universidade e Escola Básica, diálogos urgentes, em uma conjuntura que são implementadas políticas públicas de formação continuada de professores.

Desejamos que este Evento se constitua como um espaço de trocas, de reflexões sobre a identidade docente, as relações complexas entre consciência histórica e patrimônio cultural, temáticas que perpassam tantas outras, que envolvem conceitos, metodologias, campos de saber: educação, cultura, saberes locais, mundialização, identidade, memória, arte, filme documentário, sustentabilidade, patrimônio, sociedade, espaços museais, etnografia, história oral, religiosidades, etc.





 
 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Patrimônio é tema de Simpósio no VI simpósio nacioanl de história cultural

Ao longo do Simpósio Nacional, a professora/doutora Viviane Borges, do Centro de Ciências Humanas e da Educaçāo, da UDESC, Universidade do Estado de Santa Catarina, estará, na UFPI, onde coordenará o ST 18 - História cultural e Patrimônio: a Escrita da História e as Experiências de Preservação e de Patrimonializaçāo.


As inscrições para Comunicação em Simpósios Temáticos e Painéis de Iniciação Científica, estarāo abertas de 27 de janeiro a 31 março de 2012.

Para saber mais acessem

http://gthistoriacultural.com.br/VIsimposio/resumos/ST18.pdf

Socialzo com os leitores mensagem da colega professora Viviane Borges

Prezada Aurea,
 
Participei da reunião de criação do GT durante a ANPUH, sou professora da disciplina de Patrimônio Cultural na UDESC e Coordenadora Técnica do Centro de Documentação e Pesquisa do Hospital Colônia Sant'Ana (CEDOPE/HCS).
 
Não consigo entrar no grupo criado no gmail, poderias me informar como faço para fazer parte?
 
Gostaria de divulgar o Simpósio Temático proposto no VI Simpósio Nacional de História Cultural:
 
ST 18 - História cultural e Patrimônio: a Escrita da História e as Experiências de Preservação e de Patrimonialização
 
Estou seguindo o blog, está muito bom! Parabéns!
 
Att.
 
Viviane Borges

Profa. Dra. Viviane Borges
Centro de Ciências Humanas e da Educação - FAED
Departamento de História
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O método etnográfico nas pesquisas do grupo

Ao longo dos últimos cinco anos, temos buscado estabelecer diálogos entre a História e a Antropologia, usar a história oral e a etnografia, os registros fotográficos e videográficos nas pesquisas que realizamos.

Entendemos que o propósito de quem utiliza a etnografia é apreender símbolos, sentidos e significados presentes na vida cotidiana dos grupos. O método permite o contato próximo, continuo e colaborativo do pesquisador com aqueles que observa, estuda. Em algumas circunstancias pode o investigador exercer um papel ativo nas ações do grupo, o que lhe permite uma aproximação mais intensa, instigando-o a observar detalhes e solicitar esclarecimentos, que lhes servirão para explicar e interpretar aspectos de vivências cotidianas, que só o tempo longo da observação lhe possibilita, informações e dados que são registados em diários de campo ou diários gráficos, que se constituem ferramentas indispensáveis para a consistência das descrições, análises e interpretações que se propôs no inicio da investigação. Podemos afirmar que a investigação etnográfica permite que nos encontremos com o outro distante ou próximo, mas diferente em hábitos e valores daqueles que vivenciados.

Tão importante quanto à observação participante é o registro desse encontro. O diário de campo ou o diário gráfico, com registros de informações, é a forma mais tradicional deste método, as notas devem ser ricas em detalhes, dados, experiências do pesquisador, que deve incluir todas as suas percepções, até aquelas que lhes pareçam irrelevantes. Tomar notas é uma das etapas significativas da investigação, momento em que as estratégias de pesquisa são repensadas, redimencionadas, se estabelece de forma mais segura objetivos, metas, cronograma de trabalho, propósitos, prioridades.

É necessário cuidar da escrita, dos registros, estamos tratando de vidas humanas, de conhecimentos acumulados por gerações, sabedoria e ética devem fazer parte do labor daquele que se apropria de um método dessa natureza.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

projeto tartarugas do delta

coqueiro da praia um dos lugares de ação do projeto tartarugas do delta

Trata-se do compromisso de realizar ações de conservação de tartarugas marinhas na região da APA, Áreas de Proteção Ambiental, Delta do Parnaíba, em particular no litoral do Piauí, através do monitoramento de praia e ações de educação ambiental. 

A equipe é formada por biólogos, estudantes, voluntários e representantes da comunidade, que contribuem com os levantamentos de dados sobre as tartarugas marinhas. 

Acredita-se que a  pesquisa em parceria com a comunidade é fundamental no contexto da sustentabilidade. 

Em 2011, o projeto passou a contar com o patrocínio da Petrobras, por meio do programa petrobras ambiental. Tem como representante jurídico a Comissão Ilha Ativa [CIA], instituição sem fins lucrativos.