sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O método etnográfico nas pesquisas do grupo

Ao longo dos últimos cinco anos, temos buscado estabelecer diálogos entre a História e a Antropologia, usar a história oral e a etnografia, os registros fotográficos e videográficos nas pesquisas que realizamos.

Entendemos que o propósito de quem utiliza a etnografia é apreender símbolos, sentidos e significados presentes na vida cotidiana dos grupos. O método permite o contato próximo, continuo e colaborativo do pesquisador com aqueles que observa, estuda. Em algumas circunstancias pode o investigador exercer um papel ativo nas ações do grupo, o que lhe permite uma aproximação mais intensa, instigando-o a observar detalhes e solicitar esclarecimentos, que lhes servirão para explicar e interpretar aspectos de vivências cotidianas, que só o tempo longo da observação lhe possibilita, informações e dados que são registados em diários de campo ou diários gráficos, que se constituem ferramentas indispensáveis para a consistência das descrições, análises e interpretações que se propôs no inicio da investigação. Podemos afirmar que a investigação etnográfica permite que nos encontremos com o outro distante ou próximo, mas diferente em hábitos e valores daqueles que vivenciados.

Tão importante quanto à observação participante é o registro desse encontro. O diário de campo ou o diário gráfico, com registros de informações, é a forma mais tradicional deste método, as notas devem ser ricas em detalhes, dados, experiências do pesquisador, que deve incluir todas as suas percepções, até aquelas que lhes pareçam irrelevantes. Tomar notas é uma das etapas significativas da investigação, momento em que as estratégias de pesquisa são repensadas, redimencionadas, se estabelece de forma mais segura objetivos, metas, cronograma de trabalho, propósitos, prioridades.

É necessário cuidar da escrita, dos registros, estamos tratando de vidas humanas, de conhecimentos acumulados por gerações, sabedoria e ética devem fazer parte do labor daquele que se apropria de um método dessa natureza.

2 comentários:

  1. De início o meu trabalho de pesquisa localizava-se temporalmente na segunda metade do século XIX, a Etnografia e a Historia Oral foram importantes para que eu alcançasse um tempo diferenciado, o tempo da tradição. Essa perspectiva metodológica permitiu perceber a importância de um método que me mostrava à força e os aspectos da atualidade do rito, suas permanências e rupturas. Levou-me, assim, para uma dinâmica temporal da longa duração.
    Algumas indagações principalmente no que diz respeito aos saberem tradicionais e populares não são respondidas por textos escritos e oficiais. A força que a tradição oral formula no espaço religioso e da devoção só é percebida em outros meios de expressão como gestos corporais que só a etnografia é capaz de registrar.

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  2. Ao ler um artigo como este fico imensamente feliz, principalmente porque vejo que o o nosso grupo de pesquisa tem uma linha de estudo que é seguida por todos os seus membros. Me encontro perfeitamente dentro do que é dito por você Áurea. Esta é a comprovação de um trabalho que flui,como grupo, que é compartilhado, onde aprendemos e valorizamos o que cada um faz, onde há troca de experiências e conhecimento. Obrigada pela oportunidade de poder estar ampliando meus horizontes, através da convivência com o grupo de memória, ensino e patrimônio cultural. Abraços, Márcia Evelin.

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