domingo, 22 de setembro de 2013

Jornadas Europeias do Património 2013-Lugares


 
Abertura das Jornadas Europeias do Património. Auditório Lagoa Henriques, FBAUL. Da esquerda para a direita: Camila Mortari, Marta Frade, Alberto Faria, Áurea Pinheiro, Fernando António B. Pereira e Alice Alves




Este ano, a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, a Câmara Municipal de Sesimbra | Portugal, a Universidade Federal do Piauí | Capes | Brasil e o grupo de pesquisa VOX MUSEI arte e património | CNPq | CIEBA realizaram as Jornadas Europeias do Património, cuja temática é Património/LUGARES.


Áurea da Paz Pinheiro
Alice Nogueira Alves
Fernando António Baptista Pereira
Luís Jorge Gonçalves
Marta Frade
Alberto Faria
Docentes responsáveis

Ana Rita Antunes
Cássia Moura
Camila Mortari
Colaboradores



visita às reservas de pintura e escultura da Faculdade de Belas Artes


visita à Capela do Espírito Santo, Sesimbra

vista ao Porto de Abrigo, Sesimbra     


 
Gruta da Lapa de Santa Margarida, no sopé da Serra da Arrábida

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

VOX MUSEI NAS JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO


Por Áurea Pinheiro
VOX MUSEI arte e património

Este ano, a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, a Câmara Municipal de Sesimbra | Portugal, e a Universidade Federal do Piauí | Capes | Brasil unem-se e colaboram com o grupo de pesquisa VOX MUSEI arte e património | CNPq | CIEBA para realizar atividades de natureza teórica e práticas no contexto das Jornadas Europeias do Património, cuja temática para o ano 2013 é Património/LUGARES.

Propramação
20 | setembro de 2013

15 às 17h – Auditório Lagoa Henriques

Apresentação das Jornadas Europeias do Património no contexto das ações VOX MUSEI arte e património

O património da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa
  • Um património a preservar
  • Museu virtual
  • O regresso do restauro à Faculdade de Belas Artes
21 | setembro de 2013 – Vila de Sesimbra, Arrábida[1]
Património Cultural e Natural

Visita Orientada à Arrábida, nomeadamente à Vila de Sesimbra
9h – saída do auto carro do Parque Eduardo VII em Lisboa
10h – chegada ao Castelo de Sesimbra
10h15m – deslocamento até o terminal de auto carros (Vila de Sesimbra – av. da Liberdade)

Primeiro Roteiro da Visita

  • Fortaleza de Santiago (história do edifício e processo de reabilitação)
  • Capela do Espírito Santo (memória do lugar associado à devoção, assistência caritativa nos finais do séc. XV, coleção de arte sacra, etc.)
  • Ruas de Sesimbra (passagem por algumas ruas integradas no núcleo mais antigo de Sesimbra)
  • Visita ao porto de abrigo (a pesca e as embarcações tradicionais)
  • Conclusão prevista para este primeiro roteiro - 12h30m  

Segundo Roteiro da Visita  (previsão de início às 14h e término às 18h30m)

·       Património Arqueológico na Arrábida[2]

Previsão de retorno ao Parque Eduardo VII em Lisboa às 19h

As Jornadas Europeias do Património são uma iniciativa do Conselho da Europa e da União Europeia, envolve cerca de 50 países e tem como objetivo a sensibilização dos cidadãos para a importância da proteção do Património. Em cada país é realizado, anualmente, um programa de atividades a nível nacional, de acesso gratuito na sua grande maioria.

Em Portugal, a Direção-Geral do Património Cultural é entidade responsável pela coordenação do evento a nível nacional. O que se pretende é chamar a atenção para a dimensão humana de que o património se reveste, expressa materialmente em espaços e paisagens – urbanos e não urbanos – que nos marcam, que exploramos e com que convivemos numa relação de proximidade.

Os lugares estruturam o desenvolvimento pessoal e social, sustentam identidades, exprimem a dimensão cultural da sociedade, interessando conhecê-los para além do aparente, para os podermos estimar e proteger; a importância dos lugares é vital em nossa identificação e sentimento de pertença a algum sítio, tornando-se fundamental sensibilizar os cidadãos para a sua proteção através de ações que estimulem a aproximação física e emocional ao património.

Para as Jornadas Europeias do Património VOX MUSEI arte e património,  elegemos como território de estudo, observação e registro a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, e a Arrábida, na península de Setúbal, Sul de Portugal, nomeadamente a Vila de Sesimbra.

As nossas orientações aos alunos/participantes é para que encaminhem seus olhares para o património e seu registro, em uma leitura afetiva e sensível dos lugares, das pessoas, dos patrimónios, sejam eles material, imaterial ou natural. Desenvolveremos atividades de caráter  exploratório e descritivo. Devem ser usados como instrumento de registro, a depender do interesse e habilidade de cada aluno/participante, pinturas, desenhos, bandas desenhadas, meios audiovisuais e eletrónicos, web design, fotografias, vídeos, animações; enfim todos os meios que lhes permitam exercitar a imaginação, a criatividade, os desejos, etc.

Nessas atividades, os alunos/participantes terão um contato direto com as metodologias de registro do património, dentre elas a história oral e a etnografia, em uma abordagem ampla, de interpretação de histórias, das sociedades e culturas em processo de transformação, por intermédio da escuta às pessoas, dos registros de histórias e memórias de vidas, métodos-técnicas, que lhes facilitarão observar, escutar, registrar; técnicas de natureza histórica, antropológica, artística; de registros diversos, que lhes ensinem a escutar, ler, educar o olhar e fazerem registros em cadernos de campo ou diários gráficos.

Assim, pretendemos que o conhecimento e familiaridade com as artes, os patrimónios e  os museus sejam considerados nestas atividades como ferramentas de educação, intervenção social e não apenas aprendizagem mecânica, identificada com acúmulo de informação, mas sim sinónimo de cartografia do território de pessoas, portadoras de cultura, de saberes e fazeres ancestrais e conterrâneos, o que permite uma gradual virada paradigmática em relação à preservação, registro, investigação e salvaguarda, que deixam de ser função central das instituições museológicas, que passam a assumir o papel e lugar educação,  pesquisa, comunicação;  lugar onde as coleções deixem de ocupar o centro das funções dos espaços dos museus e cedam lugar à comunidade, a exposição deixe de ser fim e transforma-se em meio, onde o público deixe de ser coadjuvante e assuma o papel de protagonista na vocação, missão dos museus.

Boas Jornadas | Equipe VOX MUSEI arte e património. Lisboa (PT), 20 de setembro de 2013


[1] As embarcações tradicionais tiveram o seu tempo em Sesimbra; tratam-se daquelas que se desenvolveram localmente, adaptadas às condições particulares de uma região ou tarefa. Ao serem construídas no território, foram utilizados meios e materiais existentes na terra e tornaram-se parte integrante das economias e culturas locais. Hoje, por todo o mundo, é reconhecida a importância cultural dessa natureza de embarcações, que são alvos de recuperação e reutilização em novas atividades, sobretudo o turismo, os festivais náuticos a elas dedicados. Entre os dias 23 a 26 de outubro de 2013, Sesimbra sediará o Congresso Internacional Cultura Fluvial e Marítima - Património, Museus e Sustentabilidade. Maiores informações voxmusei.fba.ul.pt
[2] A Arrábida é candidata à Patrimônio Mundial dossiê de candidatura foi entregue à UNESCO, em Paris, pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, e cumpriu os requisitos técnicos exigidos pelo Comitê Internacional. Trata-se de uma candidatura mista à Patrimônio Natural e Cultural e abrange os conselhos de Sesimbra, Setúbal e Palmela.
Cf.: voxmusei.fba.ul.pt  e  http://voxmusei.fba.ul.pt/eventos_sesimbra.html)



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fonseca Neto, historiador, fala-nos da obra Em cada conta um lamento


“Em cada conta um lamento - incelências, benditos e rezas”, de autoria da professora Marluce Lima de Morais, foi lançado em sessão de autógrafos muito concorrida, dia seis. Livro destinado a muita repercussão, tocando o tema comum da morte, no caso específico, o “morrer” no Piauí. Melhor dizendo: o “morrer” enquanto evento que mexe com todas as pessoas e que sempre impacta as relações do viver comunitário. Fato que retempera mitos e místicas". (FONSECA NETO, ago, 2013)

para ler a matéria na íntegra clique aqui

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Revista VOX MUSEI

Lançada em suporte impresso e eletrônico





 2013, jan/jun, ISSN 2182-9489, e-ISSN 2182-0002, 376p

para acessar clique aqui


 2013 / jul-dez, ISSN 2182-9489, e-ISSN 2182-0002 / 448p

para acessar clique aqui


Lançada em julho de 2013 a Revista VOX MUSEI arte e patrimônio, sob a direção da sócia-correspondente do Piauí no IHGB, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Áurea da Paz Pinheiro, atualmente em estágio de Pós-doutorado na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Trata-se do volume 1, números 1 e 2, janeiro-junho e julho-dezembro de 2013, temas respectivos, “Arte, Patrimônio e Museus” e “Patrimônio, Educação e Museus” (ISSN 2182-9489 e-ISSN 2182-0002)

A Revista tem comissão científica e revisão por pares, sistema double blind review. Está vinculada aos Grupos de Pesquisa, CNPq “VOX MUSEI arte e patrimônio”/“Memória, Ensino e Patrimônio Cultural, Universidade Federal do Piauí, Brasil; CIEBA, Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Portugal

O periódico veicula publicação de trabalhos inéditos que versem sobre arte, patrimônio e museus, estudos que valorizem a memória social, identidades, organizações e reflexões de acervos, patrimônios, museus, públicos, educação, sociedade, acessibilidade e sustentabilidade, dentre outros objetos, temas, problemas e abordagens relacionados.

Contatos com o Grupo de Pesquisa, CNPq VOX MUSEI, Universidade Federal do Piauí, Brasil/Portugal, mail: voxmusei@fba.ul.pt | voxmuseiartepatrimonio@gmail.com, website: www.voxmusei.fba.ul.pt




sexta-feira, 26 de julho de 2013

Congresso Internacional Cultura Fluvial e Marítima, Sesimbra, Arrábida, Portugal

 
Vista do Cabo Espichel, Arrábida, Portugal


Entre os dias 23 a 26 de Outubro de 2013 decorrerá em Sesimbra, Portugal, o Congresso Internacional Cultura Fluvial e Marítima - patrimônio, museus e  sustentabilidade. 

A candidatura da Arrábida a Patrimônio Mundial é tema de uma das mesas do Congresso.  O dossiê de candidatura foi entregue à UNESCO, em Paris, pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, e cumpriu os requisitos técnicos exigidos pelo Comitê Internacional. 

Trata-se de uma candidatura mista à Patrimônio Natural e Cultural e abrange os conselhos de Sesimbra, Setúbal e Palmela. 

Dossiê e Filme da candidatura 

maiores informações sobre o congresso




terça-feira, 23 de julho de 2013

CHAMADA DE ARTIGOS REVISTA VOX MUSEI ARTE E PATRIMÓNIO


 
FOTO CÁSSIA MOURA, DELTA DO PARNAÍBA, PIAUÍ, BRASIL



CHAMADA DE ARTIGOS

De 19 de julho a 19 de Setembro de 2013
Revista VOX MUSEI arte e património
Volume 2, número 1, janeiro-junho
2014 – Tema Cultura Fluvial e Marítima: Património, Museus e Sustentabilidade
ISSN 2182-9489
e-ISSN 2182-0002

Periodicidade: semestral
Suporte: impresso e eletrónico
Revisão de submissões: arbitragem duplamente cega pelo Conselho Editorial
Direção: Áurea da Paz Pinheiro

Revista Internacional - Comissão Científica e Revisão por Pares (sistema double blind review)
Grupos de Pesquisa, CNPq “VOX MUSEI arte e património”/ “Memória, Ensino e Património Cultural, Universidade Federal do Piauí, Brasil
CIEBA, Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Portugal

O desafio que se propõe aos investigadores e profissionais é apresentarem artigos que nos permitam refletir sobre a cultura fluvial e marítima e suas relações com os patrimónios, os museus e a sustentabilidade.

O periódico veicula publicação de trabalhos inéditos que versem sobre as relações das artes, dos patrimónios e dos museus com a memória social, identidades, acervos, públicos, acessibilidade, sustentabilidade, educação, sociedade, dentre outros objetos, temas, problemas e abordagens relacionados. A Revista configura-se como um espaço de debates, reflexões e interlocuções entre investigadores ibero-americanos neste século marcado por dinâmicas informativas e comunicacionais, diversidade de culturas, perspectivas e olhares sobre o mundo.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Coleção VOX MUSEI




LANÇAMENTO DE LIVRO Em cada conta um lamento, de Marluce Lima de Morais. 

Primeiro volume da coleção VOX MUSEI arte e patrimônio
Dia 06 agosto, 18h30m | Livraria Anchieta
Avenida Dom Severino, 1104, Bairro de Fátima, Teresina- Piauí, Brasil
Sinopse A autora apresenta uma pesquisa de natureza histórico-etnográfica sobre as atitudes diante da morte e dos mortos, rituais praticados por senhores e senhoras rezantes no Nordeste do Brasil. Elege a cidade de Alto Longá, no sertão do Piauí, como espaço de investigação. A partir de aportes teórico-metodológicos da História e da Antropologia, procura compreender e interpretar, nas histórias de vida e de devoção, os sentidos e significados de gestos, orações, palavras e emoções, que marcam as canções e os lamentos diante da morte – as Incelências. Privilegia a metodologia da História Oral e Etnografia, conceitos de história de vida, memória, tradição, religiosidade e devoção. Busca compreender de que maneira os rituais de morte significam e se tornam parte das vivências de uma comunidade diante às interferências de um tempo carregado de agoras.



Prefácio



Por Áurea da Paz Pinheiro



Marluce Lima de Morais é uma jovem pesquisadora e educadora, revela-se, ao longo desses últimos cinco anos, uma historiadora competente e dedicada ao ofício tão bem descrito por Marc Bloch, historiador francês das mentalidades, que em suas memórias enfatizou a necessidade dos profissionais da História buscarem uma diversidade de testemunhos, para ele quase infinita, dizia que “[...] Tudo o que o homem diz ou escreve, tudo o que fabrica, tudo o que toca pode e deve informar-nos sobre ele."

Ao longo da experiência de investigação da autora destaco o período entre 2008 a 2013, quando do Curso de Licenciatura Plena em História e Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Piauí e no Grupo de Pesquisa/CNPq Memória, Ensino e Patrimônio Cultural; conquistou amigos, com os quais estabeleceu diálogos no campo da História, da Memória Social e do Patrimônio Cultural.

Nas reuniões no Grupo de Pesquisa, aprendeu que o valor do patrimônio não está impresso em si mesmo, mas nas relações estabelecidas em um tempo e espaço dados, que é preciso considerar os indivíduos que ocupavam o solo, as formas de utilização dos recursos naturais, as formas de produção elaboradas ao longo do tempo por culturas ancestrais, as relações com o patrimônio cultural, com a paisagem cultural - uma porção peculiar do território, representativa do processo de interação do homem com o meio natural, em que a vida e a ciência humana imprimem marcas e atribuem valores.

Este livro, editado como o primeiro volume da Coleção VOX MUSEI arte e patrimônio, Grupo de Pesquisa/CNPq, Universidade Federal do Piauí “Memória, Ensino e Patrimônio Cultural”, e CIEBA, Centro de Investigação e de Estudos da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, adensa os espaços de debates, de reflexões e de interlocução de investigadores ibero americanos que pretende ser VOX MUSEI; o desafio que se propõe aos investigadores e profissionais é apresentarem trabalhos que possam ser publicados com o selo deste Coletivo Cultural, estudos que permitam análises sobre o papel da arte, do patrimônio e dos museus, nomeadamente neste século, marcado pela dinâmica informativa e comunicacional, pela diversidade de culturas, perspectivas e olhares sobre o mundo.

O selo VOX MUSEI seleciona e publica o livro por se tratar de resultado de pesquisa acurada, árdua e criteriosa. A investigadora optou por dialogar com conceitos e métodos da História, da Antropologia e da Etnologia, valeu-se da Etnografia e da História Oral, consultou acervos públicos e privados no Nordeste e no Rio de Janeiro, documentação correspondente a um tempo longo, do século XIX ao século XXI, que traduz a natureza deste trabalho. Valeu-se de estudos clássicos sobre as atitudes diante da morte e dos mortos, investigações de Philippe Ariès e Michel Vovelle, que influenciaram profundamente a historiografia brasileira, sobretudo, quanto à variedade de fontes usadas: testamentos, registros de óbitos, estatutos de irmandades, dados estatísticos, relatos folclóricos, dentre outros.

A perspectiva historiográfica francesa atravessa o trabalho de Marluce Morais e a permite traçar comparações das atitudes diante da morte no cenário brasileiro, nomeadamente no sertão do Piauí, no Nordeste do Brasil.

A autora apaixona-se pela transversalidade do conhecimento e não teme os caminhos tortuosos já descritos por Lilia K. Moritz Schwarcz, quando diz: “Práticas de fronteira podem ser marcadas por 'relações de boa vizinhança', na feliz expressão de Robert Darnton em O beijo de Lamourette, mas, também, e com frequência, são palco de litígio. O espaço para a verificação de limites e para a demarcação de parte a parte nem sempre é objeto de consenso. Na delimitação da divisão geográfica, assim como na separação de disciplinas e de objetos, os critérios diferem, as justificativas são sempre múltiplas, assim como é nesse local que se estabelece o jogo da alteridade”.

Marluce Lima de Morais, para os amigos simplesmente Malu, nos conta histórias e memórias de uma tradição ancestral, de um patrimônio oral em risco em uma pequena comunidade no sertão do nordeste brasileiro, a cidade de Alto Longá, no interior do Piauí, um território no qual “a morte é celebrada com um lamento conhecido por incelência, expressão cultural materializada no ritual de acompanhamento de um defunto e que se realiza diante de uma morte preparada, assistida, domesticada”.

Tece uma narrativa fluida e nos convida à leitura de seu texto, fruto de reflexões sobre um corpus documental de arquivo, bibliográfico, relatos diversos que registra ao longo da etnografia que elabora, corpus que informa sobre questões ricas e complexas que envolvem não apenas os problemas teóricos e metodológicos do patrimônio cultural, mas igualmente da memória.

À pretexto de falar do Piauí, da presença da religião católica no Estado, constrói o caminho longo de uma tradição e espiritualidade cotidiana, elege uma referência cultural, não se intimida com as críticas mordazes daqueles que consideram os estudos dos folcloristas dispensáveis, lê aqueles relatos, observa-os com atenção analítica, em um trabalho arqueológico, a contra-pêlo, atravessa as narrativas, captura percepções ainda não sentidas, interpela os relatos, constrói novos registros, dialoga com os personagens que elege para a sua história, compara os depoimentos, apresenta-nos uma cultura híbrida, fluida, móvel, latente, pulsante, singular.

De forma apaixonada e competente, Malu nos apresenta as relações intrínsecas entre patrimônio, memória e história, sobretudo, os desafios que se apresentam ao ofício, modos de fazer do historiador. Escolhe um tempo longo, três personagens, descobre e registra singularidades da história das atitudes diante da da morte no Brasil, notadamente no Piauí; dialoga com os personagens, descobre fragmentos, cacos, restos, mas, sobretudo, permite que seus informantes atualizem, trabalhem as suas memórias. Descobre que é possível encontrar histórias e memórias até mesmo onde os outros não as veem, cria um ponto de reflexão sobre as assertivas de Pierre Nora, para quem “[…] tudo o que é chamado hoje de memória não é, portanto, memória, mas já história; tudo o que é chamado de clarão de memória é a finalização de seu desaparecimento no fogo da história. A necessidade de memória é uma necessidade da história”. No campo das mentalidades, das religiosidades e das espiritualidades há histórias, muitas memórias, ritualizadas no quotidiano.

Marluce Morais, historiadora, nos apresenta um Piauí afeito a fé, marcado pela presença de gerações com memórias coletivas e individuais complexas, situadas nos “quadros sociais da memória” (Halbwachs); nos apresenta pessoas que vivem intensamente os afazeres de suas vidas religiosas; capta memórias e lembranças imersas em comunidades que ainda não sofreram os desatinos da modernidade e da modernização.

Ao acreditar que a memória é experiência e trabalho, ao mesmo tempo coletiva e individual, a autora usa a História Oral e a Etnografia como instrumentos de pesquisa histórico-antropológica; percebe a memória a partir da localização das lembranças conforme os grupos sociais e suas relações recíprocas; acredita em um tempo longo, complexo, perceptível ao historiador atento e sensível, não crê em um tempo linear, cartesiano.

Segue a trilha de Alessandro Portelli e Paul Thompom, realiza entre-vistas, adentra os sentimentos mais profundos, localizados nos recônditos da alma e do lar dos informantes e devotos católicos; a autora comunga com a ideia de que a memória só tem sentido em relação a um grupo, que os acontecimentos rememorados devem ter sido vividos em comum, que deve haver a participação de outras pessoas de um mesmo grupo social; o “eu” só se torna relevante enquanto parte de uma “comunidade afetiva” de um “meio efervescente”, adentra e participa do cotidiano da comunidade Flor do Dia; faz pesquisa, participa do dia-a-dia dos informantes, sabe ouvir, esperar, registrar, tomar notas, narrar - nos conta uma história dentre tantas outras possíveis.

Como Halbwach, acredita que a memória individual só tem sentido dentro de relações sociais, a rememoração pessoal se faz em contextos de solidariedades múltiplas, as lembranças estão inseridas em lugares sociais e afetivos, em experiências históricas, culturais. Halbwachs foi um observador atento da vida cotidiana, só conseguia perceber as pessoas integradas, umas em relação a outras, logo não é possível lembrar quando se estar só. Seguindo o raciocínio do sociólogo, nunca estamos ou refletimos sozinhos, não chegamos às ideias ou aos modos de pensar de forma isolada; portanto, para que alguém recorde um acontecimento precisa de outras pessoas, não necessariamente presentes sob a forma material e sensível, mas que façam parte do contexto social, onde os acontecimentos e testemunhos se desenrolariam.

Malu consegue entender os conceitos, os aplica em seu texto, sabe que a capacidade de lembrar algum acontecimento está diretamente relacionada a um ou mais grupos. As discussões sobre as memórias individuais e coletivas consideram o indivíduo participante das duas espécies de memórias – a autora tece a teia, constrói a sua narrativa com base nos testemunhos, lê com calma, leveza e nos convida a entrar na alma devota do sertão brasileiro; narra histórias de vida, faz críticas à história tradicional, claramente simples e ingênua, por desconsiderar uma infinita diversidade de possibilidades de representar o real, frágil e sub-reptício. 

Marluce Morais problematiza a história e o patrimônio cultural, adere à aproximação da história de outras ciências: sociologia, antropologia, etnologia, traz para a cena principal o homem e a mulher simples, não o grande personagem, percebe uma multiplicidade de pessoas, aproxima-se da micro-história.

Na condição de historiadores trabalhamos com discursos, vozes e imagens do passado e do presente, nesse particular, a autora é dinâmica e nos apresenta uma multiplicidade de indivíduos que elege para sua investigação, revela-nos as diversas práticas discursivas que foram construídas com e ao seu redor da tradição, da cultura, do patrimônio cultural; reconstitui um dado contexto histórico-social no qual se desenrola os acontecimentos, valoriza formas de comportamentos, de práticas culturais e políticas; procura entender que os comportamentos normalizados estão inseridos em um meio social, retrata de forma competente uma época, não reduz as condutas a comportamentos-tipos, mas interpreta as vicissitudes de um tempo, de personagens à luz de um contexto.

É com a certeza da qualidade da investigação realizada por Marluce Lima de Morais que o selo VOX MUSEI publica esta obra, que pode ser apreciada por doutos e leigos.

Boa leitura!