domingo, 29 de janeiro de 2012

Do caos à lama, que faz a alma viver

Vista Panorâmica da Casa de Caboclo, Ilha das Canárias. Foto Cássia Moura


A canção, a música que nos acorda e nos embala é uma melodia frenética do vento dos coqueirais que circundam a nossa cabana, de onde podemos ver o Rio Parnaíba, suas águas ora mansas, ora uma dança em um ritmo voraz. Pouco mais de oito horas da manhã, terminamos a primeira refeição: melancia, laranja, suco de acerola, beiju ou tapioca, cuscuz com leite de coco natural, bolo de milho, café com leite, omelete...não podemos esquecer do mel de caju. Depois das nove horas, seguimos para o Igarapé do Mosquito, um entrelaçado exuberante de raízes de mangue vermelho, com suas raízes aéreas, sombras, caminho líquido estreito, o único som é do vento, das águas mansas, do pássaro maçarico, do macaco prego, das folhas e raízes de mangues que tocam sensualmente as águas do Parnaíba. O transporte uma canoa remada por um carioca, que veio para a Ilha das Canárias e nunca mais voltou, casou, constituiu família. É pai do pequeno Miguel, que brinca com os remos, toca seus minúsculos pés na areia macia do Rio, logo ali bem em frente de sua casa. Hoje, quem sabe teremos caranguejo, depende do senhor conhecido como Peba, catador de caranguejo. Lina, uma mineira, veio para cá há mais de dez anos, trabalhou como enfermeira na Ilha, nunca mais voltou. Ela, o filho Daniel, a nora Angela, filha de uma família de pescadores do lugar, e o pequeno Miguel formam a família da pousada Casa de Caboclo. Eles nos acolhem com muito carinho, nos sentimos em casa. O Rio Parnaíba, seu Delta, bocas, igarapés e mangues também nos acolhem há muitos anos, fazemos parte desse universo verde, penso que também nunca mais deixaremos este lugar, bebemos a água do Parnaíba, atolamos nossos pés na lama do mangue, não sairemos da lama para voltar ao caos, não temos ninguém a nos espreitar, nossas almas se acalmam...

Um comentário:

  1. Meninas, olha que eu estou curtindo muito ler todos os dias os textos poéticos de vocês.Não vejo a hora de pisar também nessa terra e me apaixonar por ela. Beijos.

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