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| imagem do filme "As escravas da mãe de Deus". Cássia Moura e Áurea Pinheiro |
Por Áurea Pinheiro
Hoje, conversei com alunos do curso de graduação em História da UFPI, sobre patrimônio cultural no Brasil.
Os diálogos fazem parte da disciplina História e Patrimônio Cultural no Brasil. Trataremos de conceitos, características-tipologias, legislação, registro do patrimônio cultural imaterial.
Acreditamos que:
“O patrimônio cultural não se restringe apenas
a imóveis oficiais isolados, igrejas ou palácios, mas na sua concepção
contemporânea se estende a imóveis particulares, trechos urbanos e até
ambientes naturais de importância paisagística, passando por imagens,
mobiliário, utensílios e outros bens móveis.
Por este motivo é possível realizar uma das mais
importantes distinções que se pode fazer com relação ao Patrimônio Cultural,
pois sendo ele diferente das outras modalidades da cultura restritas apenas ao
mercado cultural, apresenta interfaces significativas com outros importantes
segmentos da economia como a construção civil e o turismo, ampliando
exponencialmente o potencial de investimentos.”[1]
[1] Cf.:
http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaSecao.do?id=20&sigla=PatrimonioCultural&retorno=paginaIphan
Ao elaborar o
plano de curso da disciplina, cujo tema central são a investigação e o estudo
sobre o patrimônio, usei o termo no plural, ou seja, patrimônios, pois não
há como separar materialidade e imaterialidade dos patrimônios, nem mesmo
nos prendermos a uma infinidade de tipologias (taxinomia) como: cultural,
natural, arqueológico, etnográfico, tecnológico, marítimo, naval, etc. Portanto,
neste curso, parte da disciplina “Patrimônio Histórico e Cultural do Brasil”,
de 60h/a, 2 semestre de 2013, proponho abordar o assunto de forma preliminar,
tratando do tema, na condição de investigadora das ciências do patrimônio e dos
museus, com jovens pesquisadores que adentram ao universo de leituras
e investigações de forma inicial, um universo que cartografei, ao selecionar textos
em suportes diversos elaborados por investigadores de várias áreas do
conhecimento, revelando a natureza interdisciplinar do tema.
Na obra “El patrimonio cultural: la
memoria recuperada”, Francisca Hernández Hernández, pretende despertar o leitor
para o sentido da memória de um passado cultural “[…] que para muchos es poco
conocido y menos valorado, pero que necesita ser recuperado, protegido y
reconocido como el mejor regalo que las generaciones pasadas nos dejaron en
testimonio de lo que constituyó su único legado: la memoria imperecedera del
significado que para ellas tuvieron las cosas y los lugares”. E continua:
La humanidad siempre ha tratado de
expresar sus sentimientos y aspiraciones através de los monumentos y obras de
arte que, con el paso del tiempo, se han convertido en un auténtico patrimonio
cultural que había que proteger y conservar para salvaguardar la memoria
colectiva de los pueblos. De este modo, los bienes culturales se convierten en auténticos
documentos patrimoniales que testimonian cómo se ha ido conservando la memoria
histórica, al mismo tiempo que nos invitan a poner todo nuestro empeño en
seguir conservándola. Inmersos en una sociedad cada vez más interesada en
experimentar nuevas sensaciones estéticas y culturales, nuestra tarea como
educadores es hacer comprender a las nuevas generaciones que dichas
experiencias forman parte de la memoria histórica que ellas han heredado y que
están llamadas a transmitir íntegramente. (Francisca Hernandez Hernandez)
Portanto, o que pretendo
ao longo desses encontros é apresentar conceitos, abordagens,
metodologias de investigação; apresentar instituições responsáveis pela
preservação e salvaguarda dos patrimônios em nível local, nacional e
internacional, órgãos que discutem e legislam sobre os patrimônios; gostaria,
igualmente, de apresentar pesquisadores e os trabalhos que realizaram sobre
o tema no âmbito do Grupo de Pesquisa/CNPq “Memória, ensino e patrimônio
cultural”, hoje denominado, “VOX MUSEI
arte e patrimônio” (sobre o Grupo consultem
memoriaensinopatrimoniocultural.blogspot.com)
Como a Ciência do
Patrimônio é interdiciplinar, dialoga com várias áreas do conhecimento,
gostaria de eleger como áreas de interlocução a História, a Antropologia, o
Direito, a Museologia, Educação e o Turismo, os diálogos são fundamentais e atravessados
por conceitos como memória, cultura, identidade; e metodologias como a História
Oral e a Etnografia.
Os estudos de
museus e patrimônios desafiam as fronteiras disciplinares e provocam o debate,
a discussão, a invenção e a intervenção no campo teórico-metodológico, no
diálogo com os detentores dos saberes, dos fazeres, dos territórios de cultura
– as comunidades, desafiam e colocam em questão a distância dos
investigadores sociais, fixos em seus gabinetes universitários.
Não há como negar
a necessidade premente de se romper com as fronteiras da disciplinaridade e dar
importância ao estabelecimento de propostas de parcerias, trocas de
experiências, saberes e práticas, que permitam salvagadar e divulgar acervos os
mais diversos e dispersos, muitos até por construir, permitindo-se o acesso às
informações, de instrumentos analíticos para o estudo e compreensão da sociedade brasileira, latino
americana, ibero-americana.
Hoje, há uma
bibliografia em nível nacional e internacional, rica e complexa, nos estudos
dos museus e dos patrimônios, são publicações as mais diversas – on line e impressas. Há um conjunto de
trabalhos já realizados nos países ibero-americanos como Brasil, Portugal,
México etc.
Estudos que informam sobre a importância dos
documentos internacionais como o de Haya de 1954, a proteção de bens patrimoniais em
caso de conflito
armado – ambos referentes a documentos da UNESCO sobre a salvaguarda da
cultura tradicional popular (1989) e do patrimônio imaterial (2003),
que nos permitem perceber outras chaves de investigação focalizando culturas
populares e relações entre o patrimônio e identidade que amalgama a noção de
herdeiros culturais e a possibilidade de se visualizarem os criadores de
novos patrimônios. As tensão entre os conceitos do patrimônio material e imaterial e
apontam imprecisões
de alcance junto a grupos denominados por elas como “culturas subalternas”; estudos de Educação
patrimonial ou Educação para o Patrimônio.
Atualmente é
grande o número de antropólogos que se dedicam ao tema do
patrimônio cultural
– quer em atividades acadêmicas, quer em atividades de gestão de políticas
públicas ou comunitárias no Brasil.

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