segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

sobre os museus

O ICOM (Conselho Internacional de Museus), em 1986, já defendia a ideia que a função do museu "[…] não se limita em transmitir uma mensagem universal pra uma audiência amorfa, mas deve centrar-se em colocar em contato a população local com a sua própria história, tradições e valores. Por meio dessas atividades, o museu contribui para que a comunidade tome consciência de sua própria identidade que geralmente  havia sido escamoteada por razões de ordem histórica, social, ou que se havia provocado pela pressão de uma centralização ou pela urbanização"[consultar  MESTRE, Joan Santana I; PIÑOL, Carolina Martín (coords.). Manual de museografía interativa. Espanha: Ediciones Trea, S.L., 2010].

Neste mês, janeiro de 2014, iniciamos como os alunos da Universidade Federal do Piauí/História, o Curso de Introdução à Museologia, que pretende abordar questões recorrentes nesse campo de investigação - a ciência dos museus.

O curso está programado para 60h/a e está sendo ministrado de forma semi-presencial. Eis o Plano de Estudos


1. Considerações Iniciais

Atualmente, é perceptível e se reconhece o papel fundamental que os museus exercem como instrumentos de pesquisa, educação, salvaguarda e divulgação do patrimônio cultural e natural; a título de exemplo, citemos os desafios impostos aos Estados Membros da ONU, às comunidades e às instituições governamentais e não-governamentais no que tange às investigações, reflexões e intervenções nos territórios; é emblemático o caso dos inventários do patrimônio cultural imaterial[1], da divulgação e dos estudos da diversidade de metodologias e de propostas teóricas, de suportes textuais, orais e audiovisuais para aproximar e se compreenderem as normas orientadoras propostas pela Convenção de 2003 da Unesco[2]. Portanto, é indiscutível as potencialidades dos patrimônios, dos museus, das artes, do turismo, dos saberes e fazeres presentes nos territórios e nas comunidades, para estudos, investigações, sensibilizações e visibilidade da diversidade cultural brasileira e portuguesa.

Ao longo de 60 horas aulas, ministradas de forma semi-presencial, com a colaboração de professores brasileiros e portugueses, da Universidade Federal do Piauí e Universidade de Lisboa, discorremos sobre a história dos museus enquanto instituições e equipamentos culturais; suas origens e transformações ao longo do tempo. Apresentaremos, aos iniciantes neste campo de investigação, as diversas tendências e concepções museológicas. Destacaremos a função social e política dos museus e suas relações com o Estado e com o mercado em um mundo globalizado, daremos ênfase à questões recorrentes no que tange à sustentabilidade e às relações dos museus com os públicos - comunidades e visitantes. 

Apresentaremos as instituições governamentais e não-governamentais associadas aos museus, que normalizam conceitos, vocações e funções dessas instituições, a exemplo o ICOM (Conselho Internacional dos Museus - Unesco), o IBRAM (Instituto Brasileiro dos Museus), DGPC (Direção Geral do Patrimônio Cultural, Portugal), etc. 

O Museu é definido como uma “[...] instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o patrimônio material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite”[3].

2. Ementa

Dentre os temas a serem tratados destacam-se: os museus e a museologia; patrimônio, sociedade e educação museal; patrimônio, turismo e sustentabilidade.


3. Objetivos

Nesse sentido, o que se pretende com esta disciplina/curso é realizar estudos preliminares e de natureza teórico-prática no campo da museologia, compreendida como Ciência do Patrimônio, de natureza híbrida, em constate transformação, cuja marca é o diálogo com outras área do conhecimento: a História, a Geografia, as Artes Visuais, o Design, a Antropologia, a Economia, a Educação, o Turismo, etc. 

Pretende-se orientar os alunos em leituras e investigações em suporte diversos, para que sejam capazes de refletirem de forma crítica sobre as questões recorrentes e polêmicas que envolvem os museus e a museologia na atualidade, para que percebam as potencialidades dos museus enquanto objeto de estudo e pesquisa, que possam avaliar a qualidade de projetos, experiências e práticas em concreto de museus brasileiros e portugueses, nomeadamente, serem capazes de avaliar e propor sugestões de planejamento museológico para uma instituição em particular - o Museu do Piauí, localizado na capital Teresina. 

Deseja-se motivar os alunos a refletirem sobre as iniciativas de criação ou renovação de museus em suas localidades, a pensarem sobre a criação de núcleos museológicos, exposições; estabelecerem conexões entre a museologia e outras áreas do conhecimento. 

Espera-se que os jovens pesquisadores sejam capazes de compreenderem a importância que assumem os museus em uma sociedade global, as funções que desempenham como centros de pesquisa, espaços pedagógicos singulares, capazes de permitirem a constituição de uma consciência cidadã; que os alunos compreendam a importância da história e da memória social de suas localidades; percebam a importância que assumem essas instituições para diversos públicos, sejam comunidades do espaço envolvente do museu, sejam visitantes/turistas. 

A pretensão, portanto, é motivar os alunos a  perceberem as diversas temáticas possíveis de investigação para seus trabalhos de conclusão de curso nesse campo de saber-fazer[4].

4. Metodologia

Serão ministradas aulas expositoras e dialogadas presenciais e on line. Os diálogos se estabelecerão entre professores/alunos/colegas de sala por meio da discussão dos textos escritos e em outras linguagens e suportes.

5. Avaliação

Além das aulas expositivas dialogadas, serão ministrados seminários, com a participação dos alunos, como parte das atividades de algumas sessões de aulas disciplina. Os seminários terão duração máxima de 20 minutos. Os textos dos seminários serão sugeridos pelo (s) professor (es), a partir de diálogos com os alunos. Esses textos orientarão conteúdos e discussões dos seminários; ao final dos mesmos os alunos deverão iniciar a produção de um texto escrito individual sobre tema e questões de sua apresentação. O seminário, a participação nas aulas (e no ambiente virtual de aprendizagem) e o texto valerão respectivamente 10 pontos, que somados e divididos de forma equitativa, corresponderão à nota final do aluno na disciplina.

Critérios de avaliação dos seminários:

Na apresentação do seminário o aluno/a deve realizar exposição oral clara, objetiva e dentro do limite de tempo previamente estabelecido, qual seja, 20min.

O apresentador/a deve iniciar a sua exposição com uma introdução e/ou notas breves que indiquem as motivações para o tema do seminário, deve apresentar uma visão geral do assunto/problema objeto de seu seminário/referências, uma análise do conteúdo apresentado, uma conclusão com uma avaliação pessoal do assunto a partir das referências consultadas.

Em síntese, na avaliação da apresentação serão considerados:

  • Qualidade dos suportes de apresentação, com destaque para a habilidade em explorá-los;
  • Organização da apresentação [introdução/desenvolvimento/conclusão];
  • Clareza e objetividade ao longo da exposição oral;
  • Domínio do conteúdo;
  • Avaliação pessoal e análise crítica;
  • Tempo de apresentação.

Para efeito de avaliação [correção] da produção textual, serão considerados:

-  Capacidade de analisar e sintetizar as ideias;
-  Capacidade de problematizar e construir argumentos;
-  Coerência lógica das idéias;
-  Correção de linguagem [redação, gramática];
-  Formatação do texto [título, parágrafos, referências];
-  Atenção ao limite do número de páginas [05].

6. Referências para as duas primeiras semanas de aulas, as demais referências estarão disponíveis na sala virtual da disciplina e no site www.ufpi.br/patrimoniocultural

Programa de TV Univesp – Museu em movimento – 1 – Museus para que servem? Disponível em <http://www.youtube.com/watch?v=KOPh_ayCG04>. Acesso em 26 nov. 2013.

SUANO, Marlene. O que é museu? São Paulo: Brasiliense, 1986. (Coleção Primeiros Passos)


[1] Cf.: PINHEIRO, Áurea; MOURA, Cássia. INRC – Inventário Nacional de Referências Culturais. Teresina: IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Superintendência do Estado do Piauí, 2008-2009; PINHEIRO, Áurea; MOURA, Cássia. Senhores do seu ofício – a arte santeira do Piauí. Brasília: IPHAN, 2009.

[2] Convenção para a salvaguarda do patrimônio cultural imaterial. Paris, 17 de outubro de 2003. Disponível em http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001325/132540POR.pdf . Acesso em 26 nov. 2013.

[4] Em dezembro de 2013, a Capes/MEC/Brasil aprovou Projeto de Mestrado Profissional em Artes, Patrimônio e Museologia de autoria de Áurea Pinheiro. O mestrado será realizado em Parnaíba, Campus da UFPI, a partir de 2014 ou 2015.
  

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