O ICOM (Conselho Internacional de Museus), em 1986, já defendia a ideia que a função do museu "[…] não se limita em transmitir uma mensagem universal pra uma audiência amorfa, mas deve centrar-se em colocar em contato a população local com a sua própria história, tradições e valores. Por meio dessas atividades, o museu contribui para que a comunidade tome consciência de sua própria identidade que geralmente havia sido escamoteada por razões de ordem histórica, social, ou que se havia provocado pela pressão de uma centralização ou pela urbanização"[consultar MESTRE, Joan Santana I; PIÑOL, Carolina Martín (coords.). Manual de museografía interativa. Espanha: Ediciones Trea, S.L., 2010].
Neste mês, janeiro de 2014, iniciamos como os alunos da Universidade Federal do Piauí/História, o Curso de Introdução à Museologia, que pretende abordar questões recorrentes nesse campo de investigação - a ciência dos museus.
O curso está programado para 60h/a e está sendo ministrado de forma semi-presencial. Eis o Plano de Estudos
1. Considerações Iniciais
Atualmente, é perceptível e se
reconhece o papel fundamental que os museus exercem como instrumentos de
pesquisa, educação, salvaguarda e divulgação do patrimônio cultural e natural;
a título de exemplo, citemos os desafios impostos aos Estados Membros da ONU,
às comunidades e às instituições governamentais e não-governamentais no que
tange às investigações, reflexões e intervenções nos territórios; é emblemático
o caso dos inventários do patrimônio cultural imaterial[1], da
divulgação e dos estudos da diversidade de metodologias e de propostas
teóricas, de suportes textuais, orais e audiovisuais para aproximar e se
compreenderem as normas orientadoras propostas pela Convenção de 2003 da Unesco[2].
Portanto, é indiscutível as potencialidades dos patrimônios, dos museus, das
artes, do turismo, dos saberes e fazeres presentes nos territórios e nas
comunidades, para estudos, investigações, sensibilizações e visibilidade da
diversidade cultural brasileira e portuguesa.
Ao longo de 60 horas aulas, ministradas de
forma semi-presencial, com a colaboração de professores brasileiros e
portugueses, da Universidade Federal do Piauí e Universidade de Lisboa, discorremos
sobre a história dos museus enquanto instituições e equipamentos culturais;
suas origens e transformações ao longo do tempo. Apresentaremos, aos iniciantes
neste campo de investigação, as diversas tendências e concepções museológicas.
Destacaremos a função social e política dos museus e suas relações com o Estado
e com o mercado em um mundo globalizado, daremos ênfase à questões recorrentes
no que tange à sustentabilidade e às relações dos museus com os públicos -
comunidades e visitantes.
Apresentaremos as instituições governamentais e
não-governamentais associadas aos museus, que normalizam conceitos, vocações e
funções dessas instituições, a exemplo o ICOM (Conselho Internacional dos
Museus - Unesco), o IBRAM (Instituto Brasileiro dos Museus), DGPC (Direção
Geral do Patrimônio Cultural, Portugal), etc.
O Museu é definido como uma “[...] instituição
permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da
sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva,
investiga, comunica e expõe o patrimônio material e imaterial da humanidade e
do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite”[3].
2. Ementa
Dentre
os temas a serem tratados destacam-se: os museus e a museologia; patrimônio, sociedade
e educação museal; patrimônio, turismo e
sustentabilidade.
3. Objetivos
Nesse sentido, o que se pretende com esta
disciplina/curso é realizar estudos preliminares e de natureza teórico-prática no
campo da museologia, compreendida como Ciência do Patrimônio, de natureza
híbrida, em constate transformação, cuja marca é o diálogo com outras área do
conhecimento: a História, a Geografia, as Artes Visuais, o Design, a Antropologia, a Economia, a Educação, o Turismo,
etc.
Pretende-se orientar os alunos em leituras e
investigações em suporte diversos, para que sejam capazes de refletirem de
forma crítica sobre as questões recorrentes e polêmicas que envolvem os museus
e a museologia na atualidade, para que percebam as potencialidades dos museus
enquanto objeto de estudo e pesquisa, que possam avaliar a qualidade de
projetos, experiências e práticas em concreto de museus brasileiros e
portugueses, nomeadamente, serem capazes de avaliar e propor sugestões de
planejamento museológico para uma instituição em particular - o Museu do Piauí,
localizado na capital Teresina.
Deseja-se motivar os alunos a refletirem sobre as
iniciativas de criação ou renovação de museus em suas localidades, a pensarem
sobre a criação de núcleos museológicos, exposições; estabelecerem conexões
entre a museologia e outras áreas do conhecimento.
Espera-se que os jovens pesquisadores sejam
capazes de compreenderem a importância que assumem os museus em uma sociedade
global, as funções que desempenham como centros de pesquisa, espaços
pedagógicos singulares, capazes de permitirem a constituição de uma consciência
cidadã; que os alunos compreendam a importância da história e da memória social
de suas localidades; percebam a importância que assumem essas instituições
para diversos públicos, sejam comunidades do espaço envolvente do museu, sejam
visitantes/turistas.
A pretensão, portanto, é motivar os alunos a
perceberem as diversas temáticas possíveis de investigação para seus
trabalhos de conclusão de curso nesse campo de saber-fazer[4].
4. Metodologia
Serão ministradas aulas expositoras e dialogadas
presenciais e on line. Os diálogos se
estabelecerão entre professores/alunos/colegas de sala por meio da discussão
dos textos escritos e em outras linguagens e suportes.
5. Avaliação
Além
das aulas expositivas dialogadas, serão ministrados seminários, com a participação dos alunos, como parte das atividades de algumas sessões de aulas disciplina. Os
seminários terão duração máxima de 20 minutos. Os textos dos seminários serão sugeridos
pelo (s) professor (es), a partir de diálogos com os alunos. Esses textos orientarão
conteúdos e discussões dos seminários; ao final dos mesmos os alunos deverão
iniciar a produção de um texto escrito individual sobre tema e questões de sua
apresentação. O seminário, a participação nas aulas (e no ambiente virtual de aprendizagem) e o texto valerão
respectivamente 10 pontos, que somados e divididos de forma equitativa,
corresponderão à nota final do aluno na disciplina.
Critérios
de avaliação dos seminários:
Na apresentação do seminário o aluno/a deve realizar
exposição oral clara, objetiva e dentro do limite de tempo previamente
estabelecido, qual seja, 20min.
O apresentador/a deve iniciar a sua exposição com
uma introdução e/ou notas breves que indiquem as motivações para o tema do
seminário, deve apresentar uma visão geral do assunto/problema objeto de seu
seminário/referências, uma análise do conteúdo apresentado, uma conclusão com
uma avaliação pessoal do assunto a partir das referências consultadas.
Em síntese, na avaliação da apresentação serão considerados:
- Qualidade dos
suportes de apresentação, com destaque para a habilidade em explorá-los;
- Organização
da apresentação [introdução/desenvolvimento/conclusão];
- Clareza e
objetividade ao longo da exposição oral;
- Domínio do conteúdo;
- Avaliação pessoal
e análise crítica;
- Tempo de apresentação.
Para efeito de avaliação [correção] da produção
textual, serão considerados:
- Capacidade de analisar e
sintetizar as ideias;
- Capacidade de problematizar
e construir argumentos;
- Coerência lógica das idéias;
- Correção de linguagem
[redação, gramática];
- Formatação do texto [título,
parágrafos, referências];
- Atenção ao limite do número
de páginas [05].
6. Referências para as duas primeiras semanas de aulas, as
demais referências estarão disponíveis na sala virtual da disciplina e no site www.ufpi.br/patrimoniocultural
Programa de TV Univesp –
Museu em movimento – 1 – Museus para que servem? Disponível em <http://www.youtube.com/watch?v=KOPh_ayCG04>.
Acesso em 26 nov. 2013.
SUANO,
Marlene. O que é museu? São Paulo:
Brasiliense, 1986. (Coleção Primeiros Passos)
[1] Cf.: PINHEIRO, Áurea; MOURA, Cássia. INRC
– Inventário Nacional de Referências Culturais. Teresina: IPHAN – Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Superintendência do Estado do Piauí,
2008-2009; PINHEIRO, Áurea; MOURA, Cássia. Senhores
do seu ofício – a arte santeira do Piauí. Brasília: IPHAN, 2009.
[2] Convenção para a salvaguarda do patrimônio cultural
imaterial. Paris, 17 de outubro de 2003. Disponível em http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001325/132540POR.pdf
. Acesso em 26 nov. 2013.
[3] Cf.: em http://www.icom-portugal.org/documentos_def,129,161,lista.aspx.
Acesso em 26 nov. 2013.
[4] Em dezembro de 2013, a Capes/MEC/Brasil
aprovou Projeto de Mestrado Profissional em Artes, Patrimônio e Museologia de
autoria de Áurea Pinheiro. O mestrado será realizado em Parnaíba, Campus da
UFPI, a partir de 2014 ou 2015.
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