| ofício e modos de faze - Arte Santeira do Piauí, Foto Cássia Moura |
Por Áurea Pinheiro
O Piauí está localizado a noroeste da Região Nordeste, na sub-região chamada de Meio Norte do Brasil. Possui uma área de 251.529,186 Km². Sua capital é Teresina. O Estado tem uma população estimada em 3.036.290 habitantes.
A colonização do Piauí se deu a partir de meados do século XVII, pelos movimentos de expansão da pecuária e de interiorização dos espaços coloniais da América Portuguesa. Atraídos pela largueza das terras, pela abundância dos rios – condições propícias para a criação extensiva do gado –, contingentes de desbravadores se espalharam pela área intermediária entre a bacia do rio São Francisco e a região do Maranhão. Tornaram-se donos de currais, expulsaram, dizimaram as populações indígenas e conquistaram as terras, constituíram as elites locais que se mantiveram secularmente à frente da organização política e social aristocrática e interiorana que marcou a história deste espaço.
A formação histórica do Piauí se caracteriza, também, pela forte presença dos missionários franciscanos e jesuítas. Como em todo o Brasil, a Igreja Católica acompanhava a conquista dos espaços coloniais portugueses pela evangelização e catequese dos índios e pelos serviços religiosos prestados aos colonos. No Piauí, a atuação da Igreja Católica nos séculos XVII e XVIII precedeu a constituição das vilas e cidades, pois, antes da instalação oficial da Capitania de São José do Piauí, os missionários já pregavam aos índios e faziam as desobrigas, percorrendo o sertão e administrando os sacramentos, quando as fazendas foram fixadas. A própria administração do Piauí colonial, baseada na fundação de vilas, foi montada de acordo com a pré-existência de freguesias, em diferentes e distantes lugares do território piauiense, pois onde havia uma freguesia católica, passou a existir uma vila e, futuramente, uma cidade.
Essa marca da presença católica é responsável pelo substrato cultural profundamente religioso que permanecerá, com modificações e interferências, na formação cultural do Piauí, nas formas de religiosidade popular, nas práticas devocionais como na reza do terço, nas novenas, nas procissões e nos festejos de padroeiros em cidades do interior. Quando no início do século XX, a Diocese do Piauí foi criada, buscou ordenar e direcionar o trabalho catequético sobre as populações locais, tendo em vista que muitas das práticas religiosas populares eram precariamente organizadas pelas irmandades leigas no século XIX.
Ainda no período colonial, o Piauí esteve politicamente sob jurisdição da Bahia e depois do Maranhão. A posse e propriedade das terras eram regulamentadas por cartas de sesmarias. A pecuária foi desenvolvida também pela ação dos padres jesuítas, da Companhia de Jesus, no século XVIII, momento em que atingiu ponto de maior desenvolvimento. Diferentes espaços do Brasil, como o Maranhão, o Ceará e as províncias do sul eram abastecidos pelos rebanhos originários do Piauí, até a expulsão dos jesuítas quando suas fazendas foram incorporadas à Coroa e entraram em declínio. Em 1811, o Piauí tornou-se uma capitania independente.
No século XIX, a pecuária piauiense entrou em franca e progressiva decadência, devido, principalmente, a seu caráter rudimentar e às sucessivas crises de mercado. Foi o período, também, em que o Brasil se tornou independente de Portugal, e em que o Piauí se destacou na luta dos vaqueiros e roceiros contra o domínio português. A Batalha do Jenipapo [1823], como, posteriormente, a Balaiada [1838 e 1841], revelou o conjunto de tensões latentes no meio rural piauiense, advindas de sua formação oligárquica e da manutenção das hierarquias sociais no sertão.
Em 1852, o Piauí, cuja capital era Oeiras, no centro do território, fixada em pleno sertão, teve inaugurada sua nova capital, Teresina, situada na foz do rio Parnaíba e planejada para abrir a economia e a sociedade piauiense às comunicações e aos contatos comerciais com o restante do Império brasileiro. Apesar de desbancar o comércio da cidade de Caxias, no Maranhão, e ser ponto de contato mais próximo com a Europa e com o litoral, Teresina não logrou superar o caráter interiorano da sociedade piauiense, que perduraria ainda por muitas décadas e até bem recentemente, quando persiste misturado às sociabilidades e hábitos urbanos vindos de fora.
Na virada para o século XIX e nas primeiras décadas do século XX – período também da mudança do regime monárquico para a República –, o Piauí se inseriu na dinâmica capitalista internacional, através da economia extrativa da maniçoba, da carnaúba e do babaçu, que fornecia matéria-prima para os países industrializados. Apesar de conectar as margens do rio Parnaíba e muitos trechos do interior do Piauí ao comércio com outros países, o extrativismo reproduzia a estrutura dominante na sociedade piauiense, caracterizada pelo latifúndio e pelas relações de apadrinhamento no campo.
A Segunda Guerra assinalou a decadência do extrativismo, que já sofria diversas baixas em suas exportações. Nos anos 1950, o Piauí sofreu um de seus piores momentos sociais e econômicos: a pecuária, como economia tradicional estava esfacelada; o extrativismo já não trazia ao Estado a mesma renda; a agricultura sofria os impactos de sua recente introdução maciça e arbitrária no meio geográfico piauiense, pois, pela falta de acomodação do solo, sobrevinha a seca sobre o sertão; a população piauiense, em sua maioria rural, como o restante do Brasil naquele momento, padecia a crise de modo mais acentuado que as elites.
Nenhum comentário:
Postar um comentário