| Tia Elísia em uma de suas atividades prediletas a costura que aprendeu com a mãe dona Mary uma excelente costureira e quituteira. Foto Cássia Moura, 2012 |
Associamos em nossas investigações uma tradição historiográfica que nos permite narrar histórias de vida nos valendo de uma multiplicidade de registros escritos e visuais, materializados em imagens-movimento e/ou imagens-fotográficas, além, obviamente, dos registros orais, constituídos a partir das referências que temos da história oral como método, como técnica.
Entendemos, como Grele, apud Sônia Freitas que:
As pessoas sempre relataram suas histórias em conversas. Em todos os tempos, a história tem sido transmitida de boca em boca. Pais para filhos, mães para filhas, avós para netos; os anciãos do povoado para geração mais nova, mexeriqueiros para ouvidos ávidos; todos, a seu modo, contam sobre acontecimentos do passado, os interpretam, dão-lhes significado, mantêm viva a memória coletiva. Mesmo na nossa época de alfabetização generalizada e de grande penetração dos meios de comunicação ‘a real e secreta história da humanidade’ é contada em conversas e, a maioria das pessoas ainda forma seu entendimento básico do próprio passado, por meio de conversas com outros.
Evidenciamos a assertiva de Ronald Grele ao adentrarmos o universo da pesquisa nos valendo de fontes orais e de registros fotográficos, estes últimos presentes nos álbuns de família.
| Tia Alba, em entrevista concedida à Áurea Pinheiro. Foto Cássia Moura, Teresina, Feveiro de 2012 |
O convívio com os informantes, as conversas informais, os encontros sistemáticos nos permitem adentrar um universo íntimo, um território virgem, inexplorado, pronto para ser conquistado pelo historiador, que deve acessar as ferramentas próprias de seu ofício, dentre elas a capacidade de interlocução com áreas, métodos e fontes as mais diversas.
| Início da noite, por volta das 19h, cotidianamente, Tia Elísia recebe amigos e parentes em sua casa para um café regado a animadas conversas |
A história oral "[...] compreende todo um conjunto de atividades anteriores e posteriores à gravação dos depoimentos. Exige, antes, a pesquisa e o levantamento de dados para a preparação dos roteiros das entrevistas". (CPDOC). Diríamos que a depender do estudo que se realiza é necessário uma observação lenta, atenta e crítica da ambiência e dos sujeitos nele imerso.
As entrevistas de história oral, uma vez que cotejadas com outros registros escritos, sonoros e imagétivos se tornam fontes deveras interessante para a compreensão do passado. Essas entrevistas, no caso de depoimentos de personalidades diríamosque:
Caracterizam-se por serem produzidas a partir de um estímulo, pois o pesquisador procura o entrevistado e lhe faz perguntas, geralmente depois de consumado o fato ou a conjuntura que se quer investigar. Além disso, fazem parte de todo um conjunto de documentos de tipo biográfico, ao lado de memórias e autobiografias, que permitem compreender como indivíduos experimentaram e interpretam acontecimentos, situações e modos de vida de um grupo ou da sociedade em geral. Isso torna o estudo da história mais concreto e próximo, facilitando a apreensão do passado pelas gerações futuras e a compreensão das experiências vividas por outros. (CPDOC)
Por outro lado, se buscamos compreender a vida privada, íntima de uma família de pessoas comuns teremos a possibilidade de nos valer da etnografia aliada à história oral, usando ainda o vídeo e a fotografia documental. Ao termos acesso ao espaço doméstico, à intimidade, estamos diante da possibilidade de acessar outros registros, como cartas, certidões, diários, álbuns de família. Somente essa aproximação dará a possibilidade do historiador elaborar uma narrativa densa, a partir do universo, o cotidiano social e psicológico das pessoas.
Referências...
FREITAS, Sônia Maria de. História Oral: limites e possibilidades
CPDOC
Referências...
FREITAS, Sônia Maria de. História Oral: limites e possibilidades
CPDOC
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